Arquivo de 2012

47° Dia

Posted in contos with tags , , , on Março 19, 2012 by rsemente

… NO DIA ANTERIOR

Todos nós acordamos mal, como se tivesse um gosto ruim em nossas bocas. O encontro da madrugada do dia anterior havia deixado um terror no ar. Muitos choravam baixinho, tentando esquecer as cenas de terror que se passaram.

Passamos o dia conhecendo de fato a cidade, e se instalando na “grande casa” da fazenda de nosso amigo.

O ar da fazenda era muito bom, principalmente encontrar comida fresca para a alimentação de todos, destruindo o jejum de comida enlatada e seca. Carne, leite, ovos, queijo, yorgute, pão, mandioca, farinha, frango, e todo tipo de comida que isso e muito mais pudessem produzir.

É claro que isso não era assim todo dia, mas principalmente em comemoração ao retorno de “um dos filhos a casa”. O que se seguiu em boa parte do dia foi a apresentação de como as coisas estavam funcionando, tudo muito parecido como a 50 anos atrás, que era idêntico a como as coisas eram feitas a 100 anos.

Também ficamos familiarizados com os vários acontecimentos esquisitos na região. Mortos andando, estranhas estrelas cadentes, e principalmente bandos de foras da lei que invadem e saqueiam as pequenas cidades.

O problema dos zumbis parecia não ser tão sério como apresentado pelos filmes, várias pessoas foram arranhadas e mordidas mas não morreram por isso nem se transformaram em zumbis. Ou pelo menos não ainda.

Assim bastava matar os que surgissem antes que eles o matem, o que era uma tarefa mais fácil usando até uma faca ou arma similar quando, bastando quando um deles se aproximar atacar a cabeça. Aparentemente não eram tão fortes, e uma mordida não chegava a arrancar pedaços instantaneamente.

O que mais preocupava a população eram os bandos. Cada um podia trazer mortes a qualquer um, roubar alimentos, e até armas. Como sempre os humanos se apresentavam como o principal problema.

CONTINUA…

John Carter (Resenha Sem Spoilers)

Posted in Cinema, TV, e Vídeos, resenhas with tags , , , , , on Março 19, 2012 by rsemente

Uma Princesa de Marte era o nome inicial desse filme, depois John Carter of Mars (John Carter de Marte) e por fim apenas John Carter (Com o subtitulo “entre dois mundos”). De certa forma esse desenvolvimento, e ao meu ver regressão, acontece dentro do filme.

Primeiro de tudo é bom que saibam que essa história possui cerca de 100 anos! Isso mesmo, a 100 anos atrás, Edgar R. Burroughs escreveu sua primeira história, essa história, abrindo um novo gênero literário chamado de Romance Planetário, uma subdivisão da ficção cientifica misturada com o história de Capa e Espada (Estilo do Conan e Fafhrd e Gatuno). E mais ainda, ele não escreveu apenas uma história, mas na verdade quase 11 romances. Se quiser saber mais sobre o primeiro livro pode ler nesse post.

Edgar R. Burgohns é mais conhecido pelo seu segundo romance, Tarzan dos Macacos, que alem de mais realista era muitíssimo mais fácil de adaptar em qualquer época. Os motivos de seus contos em Barsoom não ser tão famosos é por que necessita de uma coisa que só recentemente nós dominamos: Computação Gráfica.

Imagine filmar uma horda de 100.000 marcianos verdes de 3 metros e quatro braços antes da década de 90.

Mesmo assim depois que a computação gráfica surgiu com força em Parque dos Dinossauros, ainda demoramos 19 anos para fazer o filme. Primeiro o cenário é em marte, e a claridade e os tons de vermelho fazem com que a computação gráfica não fique tão real (a escuridão e sombras de parque dos dinossauros e outros filmes ajuda bastante a disfarçar as imperfeições). Segundo o cenário é de certa forma datado, a final todos sabemos o que existe em Marte, e que lá não há nada de canais e civilizações alienígenas.

Então de posse das “justificativas” para o atraso do filme, vamos ao resenha propriamente dita.

Primeiro o filme é bom, mas a trama começa a ficar enrolada demais, e em alguns pontos sem pé nem cabeça. No livro original temos apenas 3 facções: os Tharks (Marcianos Verdes), Os Zondanganianos (Marcianos Vermelhos), e os Heliunitas (Marcianos Vermelhos). No filme adicionaram mais uma, o que deixou desnecessariamente complexa a história.

Quanto as espécies os Marcianos Verdes ficaram quase perfeitos (exceto pelas grandes presas não saírem exatamente da boca e a falta de orelhas). Os Macacos Brancos ficaram muito grandes, mas principalmente os fizeram cegos. Já os Thoats tiveram poucos destaques, mas ficaram bem adequados, e não apareceram os Zitidar nitidamente. Já os Calots ganharam uma habilidade um pouco Deux Ex Machina, para poder dar uma salvada na trama em momentos dramáticos, algo que me incomodou bastante. E não apareceram nenhum Banth!!!

Mesmo assim a história segue bastante divertida até cerca da metade do filme, quando John Carter finalmente entra em contato com os Marcianos Vermelhos a coisa começa a se complicar. Primeiro temos uma Zodanga completamente diferente, com uma mudança sem muito proposito a não ser substituir as características fábricas de oxigênio do romance. Depois Kantos Kan ficou um tanto idiotizado para meu gosto, ao contrario do excepcional espadachim do romance.

Os combates ficaram ótimos, os momentos cômicos foram divertidos, mas o romance, apesar de ser bastante abordado, ficou fraco demais. Outro ponto que ficou legal foi a tecnologia, principalmente as naves, todas ficaram bem legais.

Mas, como já disse, o que deixou mais a desejar foi a inclusão de uma ultima facção, uma facção muito mal explicada, muito poderosa, e aparentemente sem motivo lógico. Essa facção realmente manchou todo o filme, deixando um filme que deveria ser divertido em um filme com uma trama desnecessariamente complexa, e muito forçada.`É tanto que do jeito que foi feito bastava uma simples morte, que nunca ocorreu, para que os vilões ganhassem, mesmo tento todas as oportunidades possíveis.

No final é um filme que vale a penas ver, mas sempre que vir alguma careca branca, desligue sua mente, mude de canal e retorne quando os marcianos verdes estiverem na tela, pois é isso que importa.

46° Dia

Posted in contos with tags , , on Março 18, 2012 by rsemente

… NO DIA ANTERIOR

Após o dia anterior, horrível e quase perdido, não faltava muito para que chegássemos no nosso objetivo, mas ainda assim tínhamos que parar mais uma vez e dormir.

Restavam apenas algumas horas para que o dia surgisse, e apesar de estar com alguns hematomas nada que não pudesse suportar e que sarasse mais cedo ou mais tarde, nenhum osso havia sido danificado e nenhum órgão vital havia sido contundido, assim conseguiria dormir.

Mas durante a madrugada algo aconteceu, fui acordado pela minha esposa, o caos havi se instaurado, não sei o que havia acontecido.

Pelo menos dois carros estranhos haviam se juntado ao acampamento enquanto dormia, e tiros pareciam ser dados contra pessoas, temi pela minha família, mas parecia que todos estavam bem e próximos.

Não havia tempo para explicação, peguei minha arma e sai, mas de repente os tiros pararam.

Acendi o velho lampião e procurei pelo que estava acontecendo, alguns homens, inclusive de meu grupo se encontravam armados e ofegantes, comprovando o terror da guerra que havia acontecido. Um cheiro podre era levado pelo vento, e corpos jaziam pela região, recém abatidos por balas, mas bastou uma analise mais detalhada para ver que alguns possuíam sérias mutilações não realizadas por balas, e outros apresentavam estagio de decomposição avançado.

Continuei procurando para ver se todos estavam bem, e encontrei algo bem estranho. Um homem, ou uma criatura, parecia se resfestelejar em alguma coisa, como se carne crua houvesse sido espalhada pelo chão. A coisa não parecia ligar para mim, e por um momento achei que era um homem, até que percebi que ela a carne eram as entranhas de um ser humano.

Mirei a arma para o assassino e indaguei o que era que estava acontecendo, e aquilo me olhou. Pela primeira vez observava os olhos de um dos grandes males daquele mundo, e não devo medir palavras para dizer o que aquilo era: Um Zumbi.

Aquilo olhou para mim, com a boca ensangüentada, e se levantou, por instinto atirei, e não parou, atirei novamente agora na cabeça e o corpo caiu no chão. Gritos e choros preencheram o ambiente, todos haviam visto um pouco daquela cena iluminada pelo lampião.

Nenhuma palavra foi dita pelo resto da madrugada, queimamos os corpos pela manhã, e agradecemos pelo grupo que tinha chegado ter ao mesmo tento parecer ter trazido o mal ter ajudado a abatê-los, e com isso nenhum de nosso grupo foi morto.

O resto da viagem foi normal, e provavelmente o pior havia passado, chegamos na cidade a noite, e nos restou apenas a noite e esperar pelo outro dia.

CONTINUA…

45° Dia

Posted in contos with tags , , on Março 17, 2012 by rsemente

… NO DIA ANTERIOR

Depois de uma noite calma estávamos na reta final de nossa viagem, chegando no alto oeste no estado.

Agora as coisas começavam a ficar difíceis, uma região que antes já era considerada sem lei, agora deve estar completamente tomada por bandos ou fazendeiros, ou ambos, criando assim um perigoso estado de guerra.

Tínhamos uma escolha, passar por uma das cidades mais perigosas e economizar pelo menos duas horas, ou procurar outro caminho mais sinuoso e menos perigoso, mas ainda assim perigoso.

A decisão foi tomada de acordo com nossos suprimentos, que agora começavam a ficar mais dentro do limite de segurança. Passaríamos por uma das cidades mais perigosas da região, e pelo menos deveríamos tomar alguns cuidados.

Decidi que eu iria sozinho na frente, com o menor carro, a fim de checar algum perigo, se não voltasse em uns 15 minutos, o maior grupo deveria dar meia volta e pegar outro caminho, e mandar apenas um pequeno grupo preparado para me procurar.

Infelizmente a decisão de seguir o caminho foi errada, e a decisão de dar uma de batedor foi acertada.

As ruas para entrar na cidade estavam bloqueadas, e logo fui abordado com a estrada logo atrás de mim sendo fechada. Grupos de homens armados nos abordaram, e assim fui rendido facilmente.

A cidade estava tomada por uma das perigosas famílias de pistoleiros, e outras menores sob seu domínio, e eram a nova lei.

Eu deveria pagar algum tributo para poder passar, infelizmente só possuía o carro, com uma arma escondida. Mas havia outra possibilidade, lutar em uma de suas rinhas. Decidi essa com a possibilidade de mesmo que perdesse ser libertado.

E assim foi, lutei contra um dos campeões, bem corri de um campeão de muay tay, e no final com poucos golpes fui derrubado miseravelmente.

Apesar de minha performance ridícula fui liberado, mas com quase na da de gasolina, apenas para chegar na próxima cidade.

Assim consegui sair algumas horas depois de chegar e conseguindo encontrar o grupo de resgate e assim seguir por outro caminho mais longe. Pelo menos não acabou em um desastre total.

CONTINUA…

44° Dia

Posted in contos with tags , , on Março 17, 2012 by rsemente

… NO DIA ANTERIOR

Continuamos nossa viagem assim que o sol raiou, perdendo apenas uns 10 minutos para comer um pão seco com queijo e café. Seria o suficiente para despertar antes de mias tarde comermos algum biscoito e frutas para enganar a fome.

A viagem continuou e por um momento parecia que nada demais iria acontecer, até que encontramos um viajante solitário, se deslocando lentamente no lombo de um cavalo, cambaleando de um lado para o outro, protegido do sol escaldante por um chapéu e um capa de couro.

Abordamos o sujeito e a surpresa era que se tratava de um conhecido nosso, um amigo que morava em outro estado a trabalho, e que provavelmente a única forma que encontrara para se deslocar de lá para cá seria a cavalo, em uma viagem lenta e demorada de dias.

Paramos para ajudá-lo, lhe fornecemos água e alimento, e escutamos sua história, de como viajou por quase um mês a cavalo, parando de cidade em cidade por uma refeição e um galão de água, muitas vezes tendo que sacar sua arma para evitar ser roubado, outras tendo que retornar na escuridão para roubar um pouco do que lhe era preciso.

Oferecemos ao nosso colega carona para chegar até nossa região, mas o mesmo negou prontamente, dizendo que não se separaria de seu cavalo por nada, e que se um dia tivesse condições iria com ele até nosso futuro acampamento.

Demos-lhe um pouco mais de suprimentos para que chegasse em natal sem problemas, e antes que partisse dei um dos protocolos para ele, mas antes já adicionei a utilidade da antiga força animal, para transporte e carga, uma forma mais lenta, mas com certeza mais robusta e que dificilmente parará.

Ao vê-lo sair pensei que provavelmente aquele seria nosso futuro, mais cedo ou mais tarde regressaríamos ao velho oeste, a era industrial, a era do vapor, sendo que provavelmente seria o vapor punk que se seguiria e não o vapor romântico de outrora.

CONTINUA…

43° Dia

Posted in contos with tags , , on Março 14, 2012 by rsemente

… NO DIA ANTERIOR

Tudo estava pronto, restava agora a viagem.

Pegamos a estrada ainda pela manhã, não tão cedo como gostaríamos. Eu dirigia o caminhão, mesmo com nenhuma experiência nesse tipo de veiculo me arriscava, esperando que não fosse tão diferente de um carro. Os demais seguiam a trás com duas pickups.

Evidentemente essa não era a melhor formação e logo depois de encontrarmos o primeiro obstáculo resolvemos mudar, colocando uma das pickups para seguir na frente como batedor e sinalizando para o caminhão, que possui uma resposta mais lenta, bem antes de qualquer perigo aparecer.

Quando a noite estava próxima paramos em uma pequena cidade as margens da BR, uma cidade que já conhecida por servir como ponto de parada de viajantes. Agora restava apenas um cemitério com alguns poucos ônibus, e restaurantes de viagens as moscas.

A noite foi simples, com bastante conversa entre o grupo, todos aquecidos em cobertores, proteção suficiente para aquecer uma pessoa no clima do nordeste.

Fiquei imaginando os problemas que outras pessoas estariam enfrentando em regiões mais frias. Fogueiras poderiam ser fáceis de serem feitas, mas poderia trazer um risco adicional de denunciar a localização de seu grupo para gangues e demais grupos perigosos.

Mesmo assim poderia também servir de alguma proteção, contra possíveis perigos que poderiam se esconder na escuridão.

No meu caso a escuridão era entediante. Nada a ser feito a não ser conversar e botar o bebe para dormir o mais cedo possível.

Foi durante essas conversas que uma velha forma de se entreter ressurgiu: Livros.

Um dos novos membros do grupo tinha trazido uma pequena coleção de livros para se distrair, e eu mesmo estava interessado em terminar de ler uma série de livros das crônicas de gelo e fogo.

Não me contive e peguei um dos livros emprestados, usando a luz de uma vela para ler poucas páginas, o que se mostrou mais do que ineficiente, então tratei de procurar uma lamparina na cidade, o que não foi difícil de achar mais seria mais difícil de conseguir.

Na varanda de uma pequena casa da cidade seus habitantes se protegiam do escuro com um pequeno lampião de óleo, e depois de negociar um pouco e lhes dando um protocolo em troca, que os ensinariam a fazer um carro funcionar, eles me cederam a velha ferramenta agora indispensável.

Assim acabei o dia, lendo um livro sob a luz de um lampião, o que me permitiu passar até boa parte da madrugada fugindo do mundo realmente escuro a minha volta.

CONTINUA…

42° Dia

Posted in contos with tags , , on Março 13, 2012 by rsemente

… NO DIA ANTERIOR

O dia foi mais uma enorme busca por alimentos. Saímos com nossos veículos em três direções diferentes, cada um com a missão de oferecer algum serviço em troca de comida.

Os serviços eram essencialmente fazer outros carros funcionarem, fornecer ajuda com nossos próprios carros, como desbloquear ruas, dar caronas e fazer transporte de cargas.

Com a manhã bastante produtiva retornamos ao apartamento com bastante alimentos, a maioria frutas mas o suficiente para pelo menos dois dias, e com um bom racionamento poderia durar três dias, o que seria suficiente para uma viagem de ida e volta.

No pior dos casos bastaria realizar esse mesmo tipo de ajuda em outras cidades menores no caminho para reabastecer o que fosse preciso.

Com o entrave mais critico resolvido faltava agora conseguir um pouco mais de gasolina, para isso bastaria passar pelos vários carros abandonados e remover o que restava em seus tanques, um tarefa demorada, mas de certa forma simples. Por enquanto. Com o tempo até essa fonte acabaria, seja para abastecer outros carros fosse por causa da evaporação do combustível restando a fração mais grossa da gasolina e diesel, um óleo grosso e inútil.

Para evitar que perdêssemos tempo pegando gasolina de um carro já visitado marcávamos com um pequeno arranhão em forma de “x” perto do tanque. Esse era um código secreto nosso, pois se alguém soubesse disso poderia começar a riscar carros para que o combustível não fosse retirado.

Bem antes do final do dia todos retornamos com tanques cheios, galões reservas e alimento para a viagem.

No final ainda tivemos bastante sorte, a vizinhança era bastante agradável e nos deram uns dois quilos de carne, carne que precisava ser consumida logo, pois sem refrigeração um dia apenas seria o suficiente para estragá-la.

Fizemos assim um churrasco, o primeiro desde que tudo começou, isso foi o suficiente para que todos reabastecessem as energias e os ânimos, e assim encarar os possíveis três dias de viagem com racionamento que nos seguia, e principalmente para que não enlouquecêssemos durante o confinamento dos veículos.

CONTINUA…