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Crônicas de Akala, parte 0

Posted in artigos, cenário, contos with tags , , , , , , on Junho 6, 2021 by rsemente

Um conto interativo no mundo de Kalymba RPG

Hoje trago a vocês o início de uma saga no cenário de Kalymba criado pelo Daniel Pirraça, onde você escolhe o que acontecerá com Akala, a meia Aziza de cabelos vermelhos e fogo nas veias.

Sem mais delongas, vamos à primeira parte.

——–


As chamas trepidavam em uma miríade de cores de uma forma que Golã nunca tinha visto na vida. 

– Por Bao! – a bouda era uma mandingueira da vila e já estava em sua meia idade. Ela vestia uma armadura de anéis de ferro entrelaçada em um tecido colorido, e segurando um cajado reforçado com cilindros de metais e figuras entalhadas em toda madeira. Seus olhos brilhavam com a luz da fogueira que revelava formas que se moviam junto com o fogo.

As figuras se moviam com a fogueira, apresentando no centro uma pessoa com asas coloridas que pareciam bater junto com o tremular das chamas. Logo abaixo duas outras imagens pareciam lutar brutalmente. Então uma quarta figura surgiu debaixo da figura alada, só que menor, e logo foi abraçada pela primeira. 

As janelas de contas da casa de Golã balançaram violentamente, deixando um forte vento entrar que percorreu toda o ambiente circular, derrubando objetos das prateleiras e que logo fez a fogueira se apagar.

Demorou só um instante para que seus olhos de predadores se adaptassem à escuridão da cabana, revelando que, onde antes havia o fogo, restava apenas um bebê.

Golã esperou apenas o tempo suficiente para sua filha se fortalecer para poder rumar para um lugar mais apropriado para criar uma bebê como aquela. 

Apesar de praticamente careca, as feições dela, assim como a penugem vermelha que começava a crescer, demonstraram sem sombra de dúvida que Akala, como havia batizado a bebê, era meio-aziza, e apesar do preconceito para com os mestiços que geralmente havia nas comunidades daquele povo, a criança deveria crescer junto aos seus, e Golã estaria lá para protegê-la.

Além disso, Golã, que não parecia muito com seu povo, ainda era uma bouda, e sabia que crescer em um ambiente competitivo ajudaria Akala a se tornar uma adulta forte e resistente, da forma que Bao gostava.

Durante sua vida de aventureira Golã visitou quase toda Aiyê, ela olhou seu velho mapa enquanto amamentava a pequena Akala, e pensou nas tribos, vilas ou cidades de azizas que havia conhecido, e que seria recebida com o mínimo de aceitação necessária, o que já era bem difícil entre aquele povo xenófobo. Para qual delas deveria seguir?

Ela pensou em três opções: seguir para as terras elevadas e quentes da Etierra; para as montanhas geladas da Cordilheira Branca; ou para a Kokori, a colossal árvore sagrada na Savana Dourada?

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Uma bolda, uma das raças de Kalymba.

Agora é com vocês, onde Golã criará Akala, a bebê Aziza? Qual região você quer ver mais?

Comente abaixo, ou no nosso Instagram, onde você quer que nossa aventura comece, lembrando que o mapa de Aiyê que estou utilizando é esse aqui.

1) Seguir para as terras elevadas e quentes da Etierra; 

2) Seguir para as montanhas geladas da Cordilheira Branca, ou; 

3) Seguir para a Kokori, a colossal árvore sagrada na Savana Dourada?

Cada escolha tem uma consequência na personagem Akala, seja na ficha, seja na personalidade, na aparência ou até nos equipamentos, e influenciará os próximos capítulos da história. Também ajude, comentando o que achou, e dúvidas, sugestões ou reclamações (mas de forma educada, plz).

Um Aziza, a raça alada de Kalymba.

47° Dia

Posted in contos with tags , , , on Março 19, 2012 by rsemente

… NO DIA ANTERIOR

Todos nós acordamos mal, como se tivesse um gosto ruim em nossas bocas. O encontro da madrugada do dia anterior havia deixado um terror no ar. Muitos choravam baixinho, tentando esquecer as cenas de terror que se passaram.

Passamos o dia conhecendo de fato a cidade, e se instalando na “grande casa” da fazenda de nosso amigo.

O ar da fazenda era muito bom, principalmente encontrar comida fresca para a alimentação de todos, destruindo o jejum de comida enlatada e seca. Carne, leite, ovos, queijo, yorgute, pão, mandioca, farinha, frango, e todo tipo de comida que isso e muito mais pudessem produzir.

É claro que isso não era assim todo dia, mas principalmente em comemoração ao retorno de “um dos filhos a casa”. O que se seguiu em boa parte do dia foi a apresentação de como as coisas estavam funcionando, tudo muito parecido como a 50 anos atrás, que era idêntico a como as coisas eram feitas a 100 anos.

Também ficamos familiarizados com os vários acontecimentos esquisitos na região. Mortos andando, estranhas estrelas cadentes, e principalmente bandos de foras da lei que invadem e saqueiam as pequenas cidades.

O problema dos zumbis parecia não ser tão sério como apresentado pelos filmes, várias pessoas foram arranhadas e mordidas mas não morreram por isso nem se transformaram em zumbis. Ou pelo menos não ainda.

Assim bastava matar os que surgissem antes que eles o matem, o que era uma tarefa mais fácil usando até uma faca ou arma similar quando, bastando quando um deles se aproximar atacar a cabeça. Aparentemente não eram tão fortes, e uma mordida não chegava a arrancar pedaços instantaneamente.

O que mais preocupava a população eram os bandos. Cada um podia trazer mortes a qualquer um, roubar alimentos, e até armas. Como sempre os humanos se apresentavam como o principal problema.

CONTINUA…

46° Dia

Posted in contos with tags , , on Março 18, 2012 by rsemente

… NO DIA ANTERIOR

Após o dia anterior, horrível e quase perdido, não faltava muito para que chegássemos no nosso objetivo, mas ainda assim tínhamos que parar mais uma vez e dormir.

Restavam apenas algumas horas para que o dia surgisse, e apesar de estar com alguns hematomas nada que não pudesse suportar e que sarasse mais cedo ou mais tarde, nenhum osso havia sido danificado e nenhum órgão vital havia sido contundido, assim conseguiria dormir.

Mas durante a madrugada algo aconteceu, fui acordado pela minha esposa, o caos havi se instaurado, não sei o que havia acontecido.

Pelo menos dois carros estranhos haviam se juntado ao acampamento enquanto dormia, e tiros pareciam ser dados contra pessoas, temi pela minha família, mas parecia que todos estavam bem e próximos.

Não havia tempo para explicação, peguei minha arma e sai, mas de repente os tiros pararam.

Acendi o velho lampião e procurei pelo que estava acontecendo, alguns homens, inclusive de meu grupo se encontravam armados e ofegantes, comprovando o terror da guerra que havia acontecido. Um cheiro podre era levado pelo vento, e corpos jaziam pela região, recém abatidos por balas, mas bastou uma analise mais detalhada para ver que alguns possuíam sérias mutilações não realizadas por balas, e outros apresentavam estagio de decomposição avançado.

Continuei procurando para ver se todos estavam bem, e encontrei algo bem estranho. Um homem, ou uma criatura, parecia se resfestelejar em alguma coisa, como se carne crua houvesse sido espalhada pelo chão. A coisa não parecia ligar para mim, e por um momento achei que era um homem, até que percebi que ela a carne eram as entranhas de um ser humano.

Mirei a arma para o assassino e indaguei o que era que estava acontecendo, e aquilo me olhou. Pela primeira vez observava os olhos de um dos grandes males daquele mundo, e não devo medir palavras para dizer o que aquilo era: Um Zumbi.

Aquilo olhou para mim, com a boca ensangüentada, e se levantou, por instinto atirei, e não parou, atirei novamente agora na cabeça e o corpo caiu no chão. Gritos e choros preencheram o ambiente, todos haviam visto um pouco daquela cena iluminada pelo lampião.

Nenhuma palavra foi dita pelo resto da madrugada, queimamos os corpos pela manhã, e agradecemos pelo grupo que tinha chegado ter ao mesmo tento parecer ter trazido o mal ter ajudado a abatê-los, e com isso nenhum de nosso grupo foi morto.

O resto da viagem foi normal, e provavelmente o pior havia passado, chegamos na cidade a noite, e nos restou apenas a noite e esperar pelo outro dia.

CONTINUA…

45° Dia

Posted in contos with tags , , on Março 17, 2012 by rsemente

… NO DIA ANTERIOR

Depois de uma noite calma estávamos na reta final de nossa viagem, chegando no alto oeste no estado.

Agora as coisas começavam a ficar difíceis, uma região que antes já era considerada sem lei, agora deve estar completamente tomada por bandos ou fazendeiros, ou ambos, criando assim um perigoso estado de guerra.

Tínhamos uma escolha, passar por uma das cidades mais perigosas e economizar pelo menos duas horas, ou procurar outro caminho mais sinuoso e menos perigoso, mas ainda assim perigoso.

A decisão foi tomada de acordo com nossos suprimentos, que agora começavam a ficar mais dentro do limite de segurança. Passaríamos por uma das cidades mais perigosas da região, e pelo menos deveríamos tomar alguns cuidados.

Decidi que eu iria sozinho na frente, com o menor carro, a fim de checar algum perigo, se não voltasse em uns 15 minutos, o maior grupo deveria dar meia volta e pegar outro caminho, e mandar apenas um pequeno grupo preparado para me procurar.

Infelizmente a decisão de seguir o caminho foi errada, e a decisão de dar uma de batedor foi acertada.

As ruas para entrar na cidade estavam bloqueadas, e logo fui abordado com a estrada logo atrás de mim sendo fechada. Grupos de homens armados nos abordaram, e assim fui rendido facilmente.

A cidade estava tomada por uma das perigosas famílias de pistoleiros, e outras menores sob seu domínio, e eram a nova lei.

Eu deveria pagar algum tributo para poder passar, infelizmente só possuía o carro, com uma arma escondida. Mas havia outra possibilidade, lutar em uma de suas rinhas. Decidi essa com a possibilidade de mesmo que perdesse ser libertado.

E assim foi, lutei contra um dos campeões, bem corri de um campeão de muay tay, e no final com poucos golpes fui derrubado miseravelmente.

Apesar de minha performance ridícula fui liberado, mas com quase na da de gasolina, apenas para chegar na próxima cidade.

Assim consegui sair algumas horas depois de chegar e conseguindo encontrar o grupo de resgate e assim seguir por outro caminho mais longe. Pelo menos não acabou em um desastre total.

CONTINUA…

44° Dia

Posted in contos with tags , , on Março 17, 2012 by rsemente

… NO DIA ANTERIOR

Continuamos nossa viagem assim que o sol raiou, perdendo apenas uns 10 minutos para comer um pão seco com queijo e café. Seria o suficiente para despertar antes de mias tarde comermos algum biscoito e frutas para enganar a fome.

A viagem continuou e por um momento parecia que nada demais iria acontecer, até que encontramos um viajante solitário, se deslocando lentamente no lombo de um cavalo, cambaleando de um lado para o outro, protegido do sol escaldante por um chapéu e um capa de couro.

Abordamos o sujeito e a surpresa era que se tratava de um conhecido nosso, um amigo que morava em outro estado a trabalho, e que provavelmente a única forma que encontrara para se deslocar de lá para cá seria a cavalo, em uma viagem lenta e demorada de dias.

Paramos para ajudá-lo, lhe fornecemos água e alimento, e escutamos sua história, de como viajou por quase um mês a cavalo, parando de cidade em cidade por uma refeição e um galão de água, muitas vezes tendo que sacar sua arma para evitar ser roubado, outras tendo que retornar na escuridão para roubar um pouco do que lhe era preciso.

Oferecemos ao nosso colega carona para chegar até nossa região, mas o mesmo negou prontamente, dizendo que não se separaria de seu cavalo por nada, e que se um dia tivesse condições iria com ele até nosso futuro acampamento.

Demos-lhe um pouco mais de suprimentos para que chegasse em natal sem problemas, e antes que partisse dei um dos protocolos para ele, mas antes já adicionei a utilidade da antiga força animal, para transporte e carga, uma forma mais lenta, mas com certeza mais robusta e que dificilmente parará.

Ao vê-lo sair pensei que provavelmente aquele seria nosso futuro, mais cedo ou mais tarde regressaríamos ao velho oeste, a era industrial, a era do vapor, sendo que provavelmente seria o vapor punk que se seguiria e não o vapor romântico de outrora.

CONTINUA…

43° Dia

Posted in contos with tags , , on Março 14, 2012 by rsemente

… NO DIA ANTERIOR

Tudo estava pronto, restava agora a viagem.

Pegamos a estrada ainda pela manhã, não tão cedo como gostaríamos. Eu dirigia o caminhão, mesmo com nenhuma experiência nesse tipo de veiculo me arriscava, esperando que não fosse tão diferente de um carro. Os demais seguiam a trás com duas pickups.

Evidentemente essa não era a melhor formação e logo depois de encontrarmos o primeiro obstáculo resolvemos mudar, colocando uma das pickups para seguir na frente como batedor e sinalizando para o caminhão, que possui uma resposta mais lenta, bem antes de qualquer perigo aparecer.

Quando a noite estava próxima paramos em uma pequena cidade as margens da BR, uma cidade que já conhecida por servir como ponto de parada de viajantes. Agora restava apenas um cemitério com alguns poucos ônibus, e restaurantes de viagens as moscas.

A noite foi simples, com bastante conversa entre o grupo, todos aquecidos em cobertores, proteção suficiente para aquecer uma pessoa no clima do nordeste.

Fiquei imaginando os problemas que outras pessoas estariam enfrentando em regiões mais frias. Fogueiras poderiam ser fáceis de serem feitas, mas poderia trazer um risco adicional de denunciar a localização de seu grupo para gangues e demais grupos perigosos.

Mesmo assim poderia também servir de alguma proteção, contra possíveis perigos que poderiam se esconder na escuridão.

No meu caso a escuridão era entediante. Nada a ser feito a não ser conversar e botar o bebe para dormir o mais cedo possível.

Foi durante essas conversas que uma velha forma de se entreter ressurgiu: Livros.

Um dos novos membros do grupo tinha trazido uma pequena coleção de livros para se distrair, e eu mesmo estava interessado em terminar de ler uma série de livros das crônicas de gelo e fogo.

Não me contive e peguei um dos livros emprestados, usando a luz de uma vela para ler poucas páginas, o que se mostrou mais do que ineficiente, então tratei de procurar uma lamparina na cidade, o que não foi difícil de achar mais seria mais difícil de conseguir.

Na varanda de uma pequena casa da cidade seus habitantes se protegiam do escuro com um pequeno lampião de óleo, e depois de negociar um pouco e lhes dando um protocolo em troca, que os ensinariam a fazer um carro funcionar, eles me cederam a velha ferramenta agora indispensável.

Assim acabei o dia, lendo um livro sob a luz de um lampião, o que me permitiu passar até boa parte da madrugada fugindo do mundo realmente escuro a minha volta.

CONTINUA…

42° Dia

Posted in contos with tags , , on Março 13, 2012 by rsemente

… NO DIA ANTERIOR

O dia foi mais uma enorme busca por alimentos. Saímos com nossos veículos em três direções diferentes, cada um com a missão de oferecer algum serviço em troca de comida.

Os serviços eram essencialmente fazer outros carros funcionarem, fornecer ajuda com nossos próprios carros, como desbloquear ruas, dar caronas e fazer transporte de cargas.

Com a manhã bastante produtiva retornamos ao apartamento com bastante alimentos, a maioria frutas mas o suficiente para pelo menos dois dias, e com um bom racionamento poderia durar três dias, o que seria suficiente para uma viagem de ida e volta.

No pior dos casos bastaria realizar esse mesmo tipo de ajuda em outras cidades menores no caminho para reabastecer o que fosse preciso.

Com o entrave mais critico resolvido faltava agora conseguir um pouco mais de gasolina, para isso bastaria passar pelos vários carros abandonados e remover o que restava em seus tanques, um tarefa demorada, mas de certa forma simples. Por enquanto. Com o tempo até essa fonte acabaria, seja para abastecer outros carros fosse por causa da evaporação do combustível restando a fração mais grossa da gasolina e diesel, um óleo grosso e inútil.

Para evitar que perdêssemos tempo pegando gasolina de um carro já visitado marcávamos com um pequeno arranhão em forma de “x” perto do tanque. Esse era um código secreto nosso, pois se alguém soubesse disso poderia começar a riscar carros para que o combustível não fosse retirado.

Bem antes do final do dia todos retornamos com tanques cheios, galões reservas e alimento para a viagem.

No final ainda tivemos bastante sorte, a vizinhança era bastante agradável e nos deram uns dois quilos de carne, carne que precisava ser consumida logo, pois sem refrigeração um dia apenas seria o suficiente para estragá-la.

Fizemos assim um churrasco, o primeiro desde que tudo começou, isso foi o suficiente para que todos reabastecessem as energias e os ânimos, e assim encarar os possíveis três dias de viagem com racionamento que nos seguia, e principalmente para que não enlouquecêssemos durante o confinamento dos veículos.

CONTINUA…

41° Dia

Posted in contos with tags , , on Março 12, 2012 by rsemente

… NO DIA ANTERIOR

Estávamos todos quase prontos. Eram três famílias juntas para a grande empreitada. Minha família era a maior com sete pessoas, na família de um dos colegas eram quatro e outro apenas um casal. Uma viagem com 13 pessoas, lembrando um pouco o inicio do grupo quando tudo começou.

É claro que pretendia chamar outros familiares para nosso novo destino depois que nos estabelecêssemos, o que poderia nunca acontecer. Quais garantias tínhamos de que quando chegássemos lá as coisas estariam melhores que na capital?

Nosso grupo possuía duas pickups e um caminhão, o que agora seria perfeito para transportar a todos e os mantimentos. Mas esse era o problema: poucos mantimentos.

Antes de partir decidimos então voltar novamente ao ponto zero e tentar conseguir mais recursos, só assim poderíamos viajar com segurança durante as quase 12 horas previstas e ainda o suficiente para um retorno caso nada disso desse certo.

Durante todo o dia procuramos alimento, mas a situação realmente estava difícil, e mais nenhum posto de abastecimento continuava aberto. Talvez apenas nos limites da cidade caminhões chegassem trazendo um pouco de alimento para trocar por combustível e coisas que um ignorante possa achar útil em um futuro quando a “energia retornar”.

Não achamos praticamente nada e decidimos retornar para o nosso ponto zero, a fim de, lá, conseguir alguma coisa.

Saímos já tarde, cansados, quase famintos, mas chegamos sem problemas logo depois do anoitecer.

Fizemos um rápido desjejum e aguardamos até a chegada de um novo dia para novamente buscar pelo alimento que precisaríamos para a viagem.

Mais um dia havia passado, ainda estávamos vivos, ilesos, e só um pouco com fome, mas o que nos mais alimentava era a esperança de encontrar um local seguro para viver os esses novos tempos de escuridão.

CONTINUA…

Capitulo 6 – Um Novo Planeta (Parte 6)

Posted in contos with tags , , on Março 12, 2012 by rsemente

As coisas começaram a esquentar em Gliese, então não perca mais uma parte deste conto.

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… ANTERIORMENTE

Os Filhos de Gliese – Capitulo 6: Um Novo Planeta (Parte 6)

Em questão de um minuto cheguei na borda da cratera, a luz enviesada da estrela já tingia a borda, permitindo ver qualquer vulto que chegasse próximo de mim, e isso não demorou.

Logo depois de minha chegada, vi pelos menos quatro criaturas de dois metros de altura, e um corpo esguio, quase achatado verticalmente. Suas bocas eram enormes, quase coladas ao tronco, tinham dentes enormes retorcidos de forma quase incompreensível para mim, e junto com uma cabeça que pareciam ter quatro olhos, dois de cada lado, formavam uma criatura aterrorizante impulsionada por suas quatro fortes patas e uma calda grossa, sempre serpenteando de forma repulsiva.

Elas provavelmente são mais adaptadas que eu a esse planeta, e se correr conseguirão me pegar mais cedo ou mais tarde, só me resta ficar e lutar contras tais criaturas, que não se pareciam nem um pouco civilizadas ou inteligentes para merecer minha compaixão. Com sorte precisarei penas de um golpe para cada uma.

Elas se moviam ao meu redor, se camuflando com a vegetação mais alta, e caminhando quase perpendiculares ao sol, tentando evitar que visse seu corpo esguio lateralmente. Procuravam sempre o lado frontal, cuja silhueta era bastante delgada e poderiam tentar não serem vistos.

Sabiam que eu não era tão indefeso, mas sabiam que podiam me abater. Parecia que teria pouca chance, tinha certeza que poderia abater dois, com sorte três, mas os quatro que estavam ao meu encalço seria bem difícil sair vivo, impossível sair ileso.

Eles continuariam seu movimento, até se aproximarem cada vez mais de mim, se quisesse ficar vivo teria que dar o primeiro passo e o primeiro ataque, e o fiz.

Dei o salto mais forte que conseguiria, em direção a criatura mais próxima que conseguia ver. Com esse movimento percebi que todos agora vinham em minha direção. Alcancei o meu primeiro alvo, e com um só golpe cortei sua corcunda camuflada em formato de folha. Ele se debateu de dor e fugiu.

Um segundo conseguiu me alcançar quase que instantaneamente e pulou em minhas costas e mesmo a resistência de minha roupa construída átomo a átomo não conseguiu resistir, ele rasgou minha roupa com as quatro patas, encravando parcialmente suas garras em seu corpo, mas felizmente a maioria causara arranhões superficiais, apenas um conseguiu cravar um pouco abaixo de minha pele e cortar o músculo, liberando um grande filete de sangue.

CONTINUA…

40° Dia

Posted in contos with tags , , , on Março 12, 2012 by rsemente

… NO DIA ANTERIOR

A preparação foi rápida e a viagem deveria ser mais rápida ainda. O território que íamos já passamos uma vez, conhecíamos os perigos e um pouco as cidades pelas quais passaríamos.

O trajeto era simples, pegar a BR 101 e descer até a cidade, onde deveríamos encontrar as pessoas que foram assistir “o jogo”. Alguns deviam ter acontecido em natal, mas este não, seria especial, um jogo meio que celebração.

Parti sozinho com o fusquinha, o carro que seria menos prejudicial ser perdido. Acordei o mais cedo possível, antes do sol nascer,  e parti antes que os outros acordassem.

Assim cheguei rapidamente, em cerca de duas horas na cidade.

A primeira vista parecia não havia nada demais, mas logo que adentrei mais na cidade detectei o problema: A cidade estava côo se fosse em guerra, dividida em dois grupos, cada um torcendo para um time, e agora brigavam fora do campo.

Uma zona de disputa foi formada entre a rodovia que cortava a cidade, e os dois grupos se escondiam depois de se digladiarem com paus, pedras, facas, armas e até veículos, formando um sutil campo de batalha em comparação com as ruínas da civilização da energia.

Claro que não era toda a cidade que participava disso, mas a presença de uma centena de fanáticos de cada lado era o suficiente para parar uma cidade pequena e colocá-la em estado de guerra.

Não demorou muito fui abordado por um dos grupos, o maior, e me abordaram com uma pedrada no pára-brisa, que trincou perigosamente. Assim parei o carro e esperei por eles se aproximassem sem reagir para não ser atacado novamente.

Expliquei toda a situação aqueles homens que decidiram me liberar em troca do carro, como não tinha opção aceitei e me “juntei” a seu grupo. Felizmente eles não quiseram minha mochila, nem me revistaram por armas, se não teria perdido algo mais difícil ainda de achar.

No lado deles acabei encontrando dois casais de colegas, que logo me contaram da situação com detalhes.

Resolvi então dar esperança a eles. Primeiro espalhei o protocolo para tentar que aquela comunidade se salva-se. Depois procuramos por um novo carro abandonado, para que pudéssemos tentar o reparo e fugir para a capital.

Felizmente a procura foi curta e encontramos um pequeno caminhão antigo!

Comecei a reparar na mesma hora e quando completei embarcamos e voltamos o mais rápido possível para a cidade, quebrando todos os seus “bloqueios” pelo caminho. Ninguém nos seguiu, e sai do problema tão rápido quanto entrei, chegando a capital antes que a noite caísse, e adormecendo com a certeza que no fundo no fundo o mundo ainda continuava o mesmo.

CONTINUA…

39° Dia

Posted in contos with tags , , on Março 10, 2012 by rsemente

… NO DIA ANTERIOR

Não havia mais condições de vivermos na cidade. Alimento escasso, perigo constante, abastecimento de água precário, inimigos, e um ambiente que nem a luz do sol é aproveitada ao Maximo, criando sombras escuras e perigosas até mesmo durante o dia.

 Tínhamos três veículos, o que era suficiente para transportar 15 pessoas em conforto, e mais algumas na área de carga, mas ainda assim tinha a própria carga para a viagem. Combustível, alimento, roupas, água e todas as pequenas tranqueiras que nos mantinham sãos nessa era negra.

Resolvemos recrutar mais pessoas, e montar uma base temporária no nosso ponto zero, que eram onde estávamos onde tudo começou.

Inicialmente encontre um grande amigo que não tardou em se juntar ao grupo com sua esposa. Infelizmente não possuíam um carro, mas tratamos de procurar um nos locais onde ele possuía acesso, como seu apartamento e felizmente achamos um e sem muito esforço o colocamos para funcionar. Estava com sorte.

Também passei um dos protocolos para ele que leu rapidamente, o que de certa forma mudou seu mundo, fazendo ele no mesmo dia começar a fazer uma nova cópia para seguir o plano.

Outra grande informação que ele trouxe era a existência de uma grande aglomeração na cidade de goianinha, devido a uma tentativa de um jogo de futebol com alguns times locais.

Essa era uma nova vertente de pensamento que não conhecia na nova sociedade, a vontade pelo futebol não havia passado e um grupo de “fanáticos” esclarecidos e bem intencionado começou a montar uma série de amistosos para não morrer o esporte, a única coisa que matinha a grande parte da população do Brasil são.

Então tratei de começar os preparativos para fazer uma nova pequena viagem de reconhecimento naquela região, o que poderia me trazer alguns aliados.

CONTINUA…

38° Dia

Posted in contos with tags , , on Março 9, 2012 by rsemente

… NO DIA ANTERIOR

Começamos o dia relativamente bem, mas logo recebemos o primeiro problema, a constatação de que nossos estoques de comida não estavam nas melhores condições.

Seria mais um dia de busca por comida, praticamente pouco alimento chegava do interior, o que eles precisariam agora da cidade para ter que fazer uma viagem a troco de nada?

Por isso a população já mostrava sinal de selvageria. Várias casas e estabelecimentos pareciam visivelmente saqueados, e muitos deles eram queimados após o ato “criminoso”.  Ruas eram fechadas para proveito de poucos, principalmente aquelas com algum terreno para pequenas plantações emergenciais. Animais outrora domésticos agora começavam a ser usados para o consumo humano, não que antes alguns felinos já não fosse usados.

Mas de todas essas atitudes a mais impressionante foi uma grande rinha humana que se abriu nas ruínas do estádio que nunca voltaria a ser reconstruído.

Eram dezenas de homens, mulheres e crianças que formavam um circulo humano ao qual dois homens combatiam até a desistência. Antes de começarem a briga os dois “casavam” apostas: roupas, água…tudo que se tornou útil após o fim, mas principalmente comida. Quem vencesse levava os dois.

No momento os homens eram bastante insignificantes, lutando sem técnicas, sem força, mas um fator tornava a luta bastante perigosa, a luta ela sobrevivência. Terra se juntava a briga, e sempre que algum deles se encostava na “roda”, era empurrado sem piedade com fortes pontapés em de volta a rinha.

Não havia gongo, não havia rounds, não havia tempo, era apenas até um cair e não levantar ou desistir, o que viesse primeiro.

A principio fiquei tentado a participar, mas desisti e resolvi tentar conseguir alguma coisas nos restos do shopping que fora saqueado até a ruína. Não parecia haver nada realmente útil, mas pelo menos um local parece ter ficado intacto, um parque infantil.

Brincamos com meu filho no parque, aliviando o pensamento da escassez que nos perseguia.

CONTINUA…

37° Dia

Posted in contos with tags , , on Março 8, 2012 by rsemente

… NO DIA ANTERIOR

Mais uma vez acordamos com o sol, não foi fácil, pois todo o trabalho e estresse do dia anterior pesavam sobre nossas costas.

Adicionando a isso o trajeto contrario ao sol cegava boa parte de nossa visão, impedindo um movimento realmente adequado da viagem, mas mesmo assim avançamos lentamente mas de forma constante, chegando em natal por volta das onze horas.

Em natal comecei a organizar a segunda parte de meu plano. De posse de um mapa localizei a região mais “isolada” naturalmente e com recursos naturais para a sobrevivência a longo prazo, e mesmo assim bem posicionada para a necessidade de qualquer fuga.

Nesse mapa os conhecimentos de meu pai se mostraram bastantes uteis, indicando as regiões com melhor condição para a agricultura e pecuária.

Chegamos a um consenso a existência de uma região fronteira com Paraíba, Fortaleza e Rio Grande do Norte, com alguns picos e serras na região e açudes bem posicionado. Nesse momento olhando vem para o mapa reconheci um nome familiar: Tenente Ananias.

Era a cidade de um grande amigo, que possuía grandes fazendas na região, caso o encontrasse poderia juntar-se a ele para ajudar a grande viagem e principalmente para encontrar um local para dormir e fazer contato com a população local de forma amistosa.

Passei o restante do dia a procurar meu colega, sua casa parecia vazia, mesmo olhando pelo mura nada havia, nenhum carro, nenhum cachorro. É claro que ele deveria ter tido exatamente o mesmo pensamento que nós sendo que mais cedo.

Começamos então a calcular todos os recursos que seriam necessários para a viagem, que demoraria sete horas nos bons tempos, agora poderia demorar mais de meio dia, e com isso uma parada e assim pelo menos um dia e meio.

Á noite recebi uma boa notícia, o meu manual começava a surtir efeitos, grupos começaram a se mostrar auto-suficientes, pacificando quarteirões e mostrando uma infra estrutura mínima de recursos e organização, como carros, estoques e vigias.

Também recebi uma cópia de meu próprio manual, contendo já algumas melhorias e correções, como um diagrama de mais fácil entendimento de como realizar o concerto dos carros.

Depois disso a noite até se mostrava agradável, e pude dormir um bom sono que não havia tido á dias.

CONTINUA…

36° Dia

Posted in contos with tags , , on Março 7, 2012 by rsemente

…NO DIA ANTERIOR

No inicio do dia resolvemos procurar combustível para a viagem que se seguiria, e devido a haver bem menos carros reparados na cidade acreditamos que seria mais fácil reabastecer. O que se não mostrou correto. Possivelmente a distribuidora de combustível tratou de recuperar o combustível para guardar para a emergência, assim tínhamos de pega-lo na fonte.

Decidimos não comprar essa briga e lutamos um pouco mais, pegando em carros abandonados o combustível suficiente para levar até natal. Isso custou um bom tempo, mas era melhor isso do que procurar por postos ao redor da cidade.

Ficamos pronto para sair da cidade, restava apenas conseguir o fusca abandonado e partir de volta para a capital com meu pai.

Infelizmente quando chegamos no canto onde havia deixado o fusca ele não estava mais lá. Procuramos na região por longos minutos, que se tornaram algumas horas, sempre na esperança que não teria reconhecido o exato local onde havia o deixado, procurando pelas margens da estrada incessantemente,

Enquanto procurávamos fomos abordados pelos dois lados da pista por carros, decidimos não reagir, a final o máximo que conseguiríamos seria uma forma mais rápida de chegar até a cova.

Dos dois carros que chegaram saíram homens, felizmente mais bem afeiçoados do que marginais da periferia, o que deveria indicar fazer parte da facção policial da cidade.

Exigiram explicação de quem éramos e não os deixamos esperando, felizmente todos os indícios indicavam que nossa história era verdadeira, e finalmente eles nos disseram o que já esperava, que eles haviam pego o fusca.

Assim eles retornaram meu veiculo, e como um bônus por todo o inconveniente disseram que havia esperança na região serrana de Martins, pois um maluco da cidade conseguiu de alguma forma manter tecnologia funcionando. Geradores, rádios, luzes, computadores e equipamentos elétricos de máxima utilidade.

Parecia um paraíso, uma esperança nas alturas, mas esse fator ainda não estava em meus planos e decidi retornar para a capital, e em um futuro próximo veríamos com nossos próprios olhos o que havia restado da tecnologia.

A noite já estava próxima e viajar na escuridão não seria nem um pouco agradável, então esperamos por mais um dia a chegar em nosso destino.

CONTINUA…

35° Dia

Posted in contos with tags , , on Março 6, 2012 by rsemente

…NO DIA ANTERIOR

Segundo meu pai tive sorte de não encontrar nenhum problema no caminho. O Caos reinava na cidade e uma verdadeira guerra se produzia, com bairros tentando se defender contra saqueadores que começavam a formar um novo governo paralelo.

Os bairros seguros eram os mais nobres, que conseguiram manter as poucas forças policiais par patrulhar as fronteiras dos bairros a procura de qualquer invasor. Assim as ruas se tornaram uma verdadeira zona de guerra.

Minha sorte se devia não em maior parte ao meu disfarce, mas sim a dois dias atrás ter havido um grande conflito, onde vários grupos de bandidos foram rechaçados, assim como feridos vários policiais, e com isso uma trégua informal foi realizada.

Diante de minha sorte deveríamos aproveitar a oportunidade e sair de lá o mais rápido possível, resolvi concertar o carro de meu pai, uma grande pickup, foi difícil fazê-lo pegar, principalmente devido a vários sistemas mais modernos, como direção hidráulica. Por isso resolvemos chamar um mecânico para ajudar a compreender um pouco mais de algumas partes e o que poderíamos fazer.

O trabalho demorou o restante do dia, mas conseguimos, mais um carro agora fazia parte de nossos equipamentos.

Também começamos o trabalho de conseguir insumos para a plantação de uma futura colônia, pegando sementes de vários tipos, principalmente espécies mais resistentes a seca da região e insumos agrícolas que podiam ser necessários para as primeiras colheitas.

Passando pela cidade ela parecia morta, principalmente os icônicos cavalos mecânicos que retiravam petróleo do solo, aqui encontrados em alguns pontos no meio da cidade, todos desativados, carcaças de uma civilização que já não existiria mais.

Foi quando tive uma grande idéia.

Alguns dos poços de petróleo possuíam bombas para retirada de óleo diretamente do fundo do poço, bombas potentes com motores elétricos e capacidade para bombear grande quantidade de líquido. Estas bombas por se localizarem em profundidades elevadas podiam ter sobrevivido ao pulso eletromagnético. Isso significa que teríamos um motor elétrico, e se bem adaptado um poderia se tornar um gerador para alimentar a bomba!

O único problema seria encontrar essas peças e retira-las sem grande força artificial, visto que se encontram em sua maioria em poços de plataforma de petróleo.

Guardei a idéia para uma próxima missão, essa sim poderia dar muito resultado para a construção de uma nova civilização.

 

CONTINUA…