John Carter (Resenha Sem Spoilers)


Uma Princesa de Marte era o nome inicial desse filme, depois John Carter of Mars (John Carter de Marte) e por fim apenas John Carter (Com o subtitulo “entre dois mundos”). De certa forma esse desenvolvimento, e ao meu ver regressão, acontece dentro do filme.

Primeiro de tudo é bom que saibam que essa história possui cerca de 100 anos! Isso mesmo, a 100 anos atrás, Edgar R. Burroughs escreveu sua primeira história, essa história, abrindo um novo gênero literário chamado de Romance Planetário, uma subdivisão da ficção cientifica misturada com o história de Capa e Espada (Estilo do Conan e Fafhrd e Gatuno). E mais ainda, ele não escreveu apenas uma história, mas na verdade quase 11 romances. Se quiser saber mais sobre o primeiro livro pode ler nesse post.

Edgar R. Burgohns é mais conhecido pelo seu segundo romance, Tarzan dos Macacos, que alem de mais realista era muitíssimo mais fácil de adaptar em qualquer época. Os motivos de seus contos em Barsoom não ser tão famosos é por que necessita de uma coisa que só recentemente nós dominamos: Computação Gráfica.

Imagine filmar uma horda de 100.000 marcianos verdes de 3 metros e quatro braços antes da década de 90.

Mesmo assim depois que a computação gráfica surgiu com força em Parque dos Dinossauros, ainda demoramos 19 anos para fazer o filme. Primeiro o cenário é em marte, e a claridade e os tons de vermelho fazem com que a computação gráfica não fique tão real (a escuridão e sombras de parque dos dinossauros e outros filmes ajuda bastante a disfarçar as imperfeições). Segundo o cenário é de certa forma datado, a final todos sabemos o que existe em Marte, e que lá não há nada de canais e civilizações alienígenas.

Então de posse das “justificativas” para o atraso do filme, vamos ao resenha propriamente dita.

Primeiro o filme é bom, mas a trama começa a ficar enrolada demais, e em alguns pontos sem pé nem cabeça. No livro original temos apenas 3 facções: os Tharks (Marcianos Verdes), Os Zondanganianos (Marcianos Vermelhos), e os Heliunitas (Marcianos Vermelhos). No filme adicionaram mais uma, o que deixou desnecessariamente complexa a história.

Quanto as espécies os Marcianos Verdes ficaram quase perfeitos (exceto pelas grandes presas não saírem exatamente da boca e a falta de orelhas). Os Macacos Brancos ficaram muito grandes, mas principalmente os fizeram cegos. Já os Thoats tiveram poucos destaques, mas ficaram bem adequados, e não apareceram os Zitidar nitidamente. Já os Calots ganharam uma habilidade um pouco Deux Ex Machina, para poder dar uma salvada na trama em momentos dramáticos, algo que me incomodou bastante. E não apareceram nenhum Banth!!!

Mesmo assim a história segue bastante divertida até cerca da metade do filme, quando John Carter finalmente entra em contato com os Marcianos Vermelhos a coisa começa a se complicar. Primeiro temos uma Zodanga completamente diferente, com uma mudança sem muito proposito a não ser substituir as características fábricas de oxigênio do romance. Depois Kantos Kan ficou um tanto idiotizado para meu gosto, ao contrario do excepcional espadachim do romance.

Os combates ficaram ótimos, os momentos cômicos foram divertidos, mas o romance, apesar de ser bastante abordado, ficou fraco demais. Outro ponto que ficou legal foi a tecnologia, principalmente as naves, todas ficaram bem legais.

Mas, como já disse, o que deixou mais a desejar foi a inclusão de uma ultima facção, uma facção muito mal explicada, muito poderosa, e aparentemente sem motivo lógico. Essa facção realmente manchou todo o filme, deixando um filme que deveria ser divertido em um filme com uma trama desnecessariamente complexa, e muito forçada.`É tanto que do jeito que foi feito bastava uma simples morte, que nunca ocorreu, para que os vilões ganhassem, mesmo tento todas as oportunidades possíveis.

No final é um filme que vale a penas ver, mas sempre que vir alguma careca branca, desligue sua mente, mude de canal e retorne quando os marcianos verdes estiverem na tela, pois é isso que importa.

2 Respostas to “John Carter (Resenha Sem Spoilers)”

  1. thackbarth Says:

    O filme é muito bom ao retratar a imaginação de Burroughs sobre como é Barsoom, mas não tão bom ao retratar a história que ele escreveu. Parece que eles pegaram as melhores cenas, os melhores capítulos dos três primeiros livros e montaram uma nova história com eles. Está tudo mais ou menos no filme, mas fora de ordem e acontecendo por razões diferentes.
    Mas como uma forma de visualizar o mundo criado por Burroughs o filme é excelente. (é uma pena que tudo que aparece dos Banths sejam carcaças apodrecidas na arena dos Tharks, tomara que eles apareçam em novos filmes)
    Faz algum tempo eu adaptei os livros para Gurps:
    http://www.gurpsnation.com/component/content/article/99
    http://www.gurpsnation.com/component/content/article/100

    • Seja bem vindo Prof. Hackbarth.
      É exatamente essa bagunça na trama que atrapalha tudo, espero que aprendam com as criticas e se fizerem um novo (provavelmente sim, visto a quantidade de recursos gastas) eles façam alguma coisa mais “simples”.
      Eu nem vi as carcaças😛

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