27° Dia


…NO DIA ANTERIOR

Metade do grupo partiu para o nosso ponto zero o mais cedo possível, o restante aguardou até que nenhum sinal de retorno por motivo de força maior ocorresse. Eu estava no segundo grupo esperando.

Apesar de ter me tornado uma espécie de líder, ou pelo menos o executor primário de todas as atividades de risco estava longe de mandar em 100%. Possuía iniciativa mas não me havia cartas brancas para tomar decisões coletivas mais drásticas.

Mas pelo menos em mim eu mandava. E isso bastava.

Chegamos no nosso ponto zero. A pequena cidade costeira parecia não ter mudado em nada. Pessoas nas ruas, os vários mercadinhos que vendiam produtos para os veranistas estavam em sua maioria fechados, em substituição um grande mercado permanente foi formado para compra, venda e troca de produtos produzidos no quintal. As pessoas ainda conversavam nas ruas, andavam de um lado para outro, lavavam suas roupas e trabalhavam nas poucas atividades que restavam como pesca e agropecuária.

Isso tudo era mantido por ser uma comunidade pequena onde todos se conheciam e não aceitavam que ninguém de fora ameaçasse a tranqüilidade do local. Para explicar como de fato isso ocorria contarei um fato ocorrido a alguns anos atrás.

Numa comunidade vizinha bandidos começaram a assaltar casas de veraneio, e o problema se repetiu algumas vezes sem que a policia tomasse uma atitude contra os larápios. Cansados de verem suas casas e as casas de quem trazia um pouco mais de dinheiro para região serem saqueados os próprios moradores, em especifico um grupo de pescadores, com facões nas mãos procuraram quem achavam que andava cometendo os crimes, e no outro dia restava apenas os corpos de homens mortos a peixeira. Quem os matou ninguém falava, mas todos sabiam, todos participaram, e assim impediram que malandros atrapalhassem seu sossego.

Aliado a isso é sabido que quanto menos desenvolvida é a economia de um local menos de tecnologia ele é dependente, e corroborando com isso os seguintes ditados populares “a ignorância é uma benção” ou “felizes são os ignorantes”. E agora as frases eram mais do que verdade.

Estávamos em uma comunidade fechada, praticamente auto-suficiente, e com um excedente de produção para alimentar até visitantes, mas é claro que isso não sairia de graça.

CONTINUA…

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