18° Dia


…NO DIA ANTERIOR

De acordo com meu plano precisava resgatar parte da família de minha esposa, principalmente minha sogra e meus cunhados.

Atravessar as pontes não foi fácil, antes de rodarmos com nossos carros decidimos que iríamos a pé e veríamos qualquer problema, caso não houvesse nenhum problema em uma hora o carro deveria seguir em frente, e caso houvesse seria o tempo em que retornaríamos.

E assim fizemos, e para nossa surpresa haviam homens executando alguma tarefa de cadastramento e controle, e os poucos carros que tentavam parar eram barrados, e os motoristas levados para o interior do posto de controle.

O que acontecia lá não pudemos ver, mas não gostaríamos de arriscar, decidimos seguir para a ponte nova, um local que também poderia haver o mesmo tipo de bloqueio, e ainda mais longo, o que requisitaria o dobro de tempo para a averiguação.

Assim fizemos, mas por sorte o bloqueio não era tão intenso, era realizado por policiais e apenas um cadastro era realizado, ninguém era parado, assim pudemos passar sem muitos problemas a não ser a justificativa que estávamos com um carro emprestado de um vizinho, apresentando os documentos de comprovante de moradia.

Chegamos na casa de minha sogra e felizmente por possuírem um quintal estavam com uma boa quantidade de alimentos, e inclusive algumas frutas, coisa que já não víamos a semanas. Outro grande feito foi a transformação de um grande descampado em uma grande plantação, e que em alguns meses poderia ajudar na alimentação da comunidade.

E isto não estava sendo feito apenas lá, mas também nos generosos canteiros da avenida, que poderiam suportar arvores frutíferas, e até algumas plantações mais fortes, como milho. É claro que tal inventividade era digno de nota e tratei de adicionar essa idéia no meu manual.

O restante do dia foi bastante adequado até que ouvi novamente algo que me incomodava a bastante tempo, uma das vizinhas espancava o filho diariamente e seus gritos ecoavam pela comunidade. Houveram varias denuncias as autoridades, mas agora no caos puçá esperança restava aquela pobre criança. Então resolvi eu mesmo acabar com a situação.

Quase como que por impulso fui até o muro e pulei utilizando os velhos buracos entre os tijolos, e entrando de cara na casa presenciei a cena. A mulher estava horrorizada, mas ainda com um pedaço de borracha nas mãos, e a criança em um estado lastimável de desespero e dor.

Nesse momento me segurei para não dar um forte pontapé naquela criatura que não podia ser chamada de humana, segurei seu braço e com uma rápida chave o torci até estalar, e com uma simples ameaça – “Se voltar a bater nele próxima vez será sua cara!” – fui embora com certeza que o temor em sua face era suficiente para não voltar a fazer aquilo novamente.

CONTINUA…

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