10° Dia


…NO DIA ANTERIOR

Nesta noite não dormimos, o desconforto do carro aliado com mosquito fez com que simplesmente não se sentia confortável naquela local, era como se soubesse o terror que veríamos na cidade da lama. Colunas de fumaça sinalizavam toda a cidade avisando aos cidadãos da nova idade das trevas que ali o caos dominava.
Faziam apenas 10 dias que tudo começou, mas Recife parecia que estava em um estado de guerra a semanas, lembrando uma Bagdá pós-bombardeio, e fazendo parecer que Natal era apenas uma cidade depois de um carnaval.
Discutimos qual seria a melhor opção para entrar na cidade, sua fama de violenta deveria agora estar no auge, se a fama ainda pudesse se propagar. Se fossemos a pé provavelmente demoraríamos umas 12 horas, além de correr o mesmo risco de carro, mas pelo menos parte de nosso pessoal estaria em segurança.
Decidimos que um pequeno grupo com os quatro homens iriam até lá, dois deles iriam até a metade do caminho e voltariam, apenas para avisar como estava a cidade de fato e seria prudente entrar de carro, e se não voltássemos até o meio dia do próximo dia deveriam tomar a decisão de voltar até natal ou João Pessoa onde poderiam encontrar outra parte da família.
Os dois “batedores” deveriam observar o caminho e voltar caso visse algo perigo para assim avisar para o carro não avançar.
Antes de sair do posto tentei procurar por algo que nos fosse útil e encontrei uma bicicleta, o que encurtaria e muito o tempo de viagem pelo menos para duas pessoas, podendo fazer que voltássemos até no mesmo dia.
E assim fizemos, eu seria um dos batedores, junto com meu outro primo mais velho, por ser mais leve para ser carregado na bicicleta e saber fazer a ligação direta. Mas se alguma coisa acontecesse no meio do caminho dois de nos deveriam correr, um com a bicicleta e outro a pé, provavelmente tendo que despistar de alguém entre as ruas da cidade.
Aqui a sena era semelhante a que encontramos em natal e outras cidades, exceto por que não haviam policiais nas ruas. As pessoas vagavam na rua de forma que pareciam sem rumo, mas estavam apenas sem esperança. Ao conversarmos com elas soubemos que guerras de gangues e policiais se espalharam pela cidade, até os cidadãos tiveram que tomar partido e proteger suas comunidades. Agora bairros eram tomados por bandidos e pelas pessoas da comunidade, ficando agora perigosamente de fora apenas as avenidas.
O grupo voltou e eu e meu primo fomos em frente, sempre com olhares desconfiados de observadores nas ruas principais. Felizmente não houveram nenhuma ocorrência e chegamos no condomínio em que moravam, que havia se tornado uma frágil e populosa fortaleza.
Como já era tarde verificamos apenas que o fusquinha estava lá, mas estava arrombado, provavelmente para tirar a gasolina, e o apartamento continuava fechado, mesmo que outros já houvessem sido arrombados.

CONTINUA…

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