4° Dia


…NO DIA ANTERIOR

Acordamos, se é que dormimos, com o sol e os mosquitos, no chão duro um pouco acolchoado com mato que arrancamos a margem da rodovia. Pelo menos os lençóis nos pouparam do frio da madrugada e da grande maioria dos insetos.

Eu mesmo não queria dormir, pois não havia nenhuma proteção contra ladrões a não ser o pequeno e improvisado posto policial a mais de 200m, distancia mais próxima que conseguimos sem sentir o desagradável cheiro de urina e fezes que exalava a região próxima ao acampamento mais “antigo”, mas precisava para a caminhada que seguiria logo no amanhecer.

Todos estavam de pé e o relógio marcava ainda as 21:12 horas de três dias atrás, resolvi manter o relógio como lembrança e prova do que aconteceu, além de ter sido um presente de minha esposa há mais de 5 anos, mesmo que agora repousasse inútil em meu pulso parecia ser uma das poucas coisas que matinha minha sanidade.

Conseguimos água quente com um grupo que ainda mantinha uma fogueira acesa, e então fizemos nossa primeira refeição do dia, com frutas, pão seco, queijo, café com leite em pó, dessa vez um pouco mais forte que as anteriores, para resistir a longa caminhada que se seguiria.

A mediada que andávamos pela avenida vimos uma zona de guerra. Lojas saqueadas, pessoas suspeitas se escondendo a nossa passagem, outros chorando e pedindo ajuda, grupos de familiares e visinhos se na caçadas protegendo suas ruas, apenas uma dupla de policiais militares patrulhava a avenida com seus cavalos. Agora entendia para que eram mantidos tais unidades antiquadas.

Cobrimos nosso pequeno filho com panos, protegendo-o do sol e da desgraça que nos rodeava. Uma criança tão pequena não deveria crescer tão insensível quanto nos nos tornamos a cada pedinte de sinais da civilização que acabava de ruir.

Demoramos quase duas horas para chegarmos na ponte mais antiga que dividia a cidade em dois, e ali formara uma verdadeiro acampamento, com policia, bombeiros e até ambulâncias improvisadas do exercito cuidando ao ar livre de quem precisasse de ajuda e mantendo ainda um pouco do que restava da civilização.

Paramos, descansamos, reabastecemos nossa água, nos despedimos de alguns que seguiriam outros caminhos. Apenas mais duas horas nos separavam de nosso verdadeiro lar, mas a medida que nos aproximávamos mais pensava que havia sido uma má idéia.

Algumas colunas de fumaça podiam ser vistas espalhadas pela cidade e pouco poderíamos ter de beneficio em ficar presos em uma cidade sem abastecimento. Fiz então valer minha opinião discutindo que aquela não deveria ser nossa saída, que deixássemos tudo de lado e procurássemos algo seguro e com um mínimo de recursos naturais para nossa existência, como uma fazenda. Mas mais uma vez fui derrotado e seguimos para nossa casa, apenas para obter um pouco de conforto e uma geladeira com alimentos quase estragados. Pelo menos dormimos em nossas camas e esperamos pelo próximo dia.

CONTINUA…

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