3° Dia


…NO DIA ANTERIOR

Acordamos bem cedo, o sol só ameaçava surgir no horizonte. Caminhamos até o ponto em que os velhos carros que ainda funcionavam ficavam a espreita de novos passageiros, uma pequena turba de pessoas se reunia em volta dos motoristas oferecendo dinheiro para a viagem.

Fiquei com medo de não conseguir minha passagem, a final agora era a lei da oferta e da procura em sua concepção mais extrema. Demorou um tempo para encontrar o homem que nos vendeu lugares em sua combi.

“Espero que a nossa promessa esteja de pé” falei em num tom mais rígido que podia a fim de tentar aflorar um pouco de honra e medo em seu interior. É claro que ele tentou renegociar a viagem, e tive que argumentar, como e onde ele conseguiria gastar tanto dinheiro se não havia mais nada?

Evidentemente era difícil argumentar, e tive que pagar o dobro da oferta anterior, pelo menos era um preço menor do que outras pessoas estavam pagando por outros transportes. Nessas horas até um bebê faz um homem se apiedar.

 Outros membros da minha família não tiveram tanta sorte, mas ainda conseguiram pegar carona na boleia de um antigo caminhão, um perigoso pau-de-arara com muitas pessoas perigosamente abarrotadas em sua carroceria.

O caminho até a cidade era desolador, uma verdadeira cena de desolação, carros abandonados, ainda que poucos, pessoas andando com passos lentos e pesados castigadas pelo sol, e alguns acidentes decoravam tristemente a trágica cena que se seguia.

Seguimos lentamente, desviando de cada carro, tomando cuidado com possíveis carros vindos da contra mão, que felizmente não houve nenhum, tentando evitar os pedidos de carona de dos “retirantes” pela estrada.

Quando nos aproximamos da cidade mais uma novidade, uma barricada policial evitava a entrada de novos veículos na cidade, e com isso um grande acampamento se formava nos postos de gasolina e outras construções na margem da cidade.

Esperamos pelo próximo grupo que vinha no caminhão, mas este foi muito mais lento que nós e chegaram bem tarde onde estávamos.

Como já passava do meio dia e o com o Sol a pino resolvemos parar também, e como felizmente estava preparado não passaríamos grandes necessidades, mas tínhamos que partir andando até nossa casa, uma caminhada que haveria de esperar até a madrugada do próximo dia.

CONTINUA…

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