Space Battleship Yamato: Busca por Iscandar (Patrulha Estrelar)


Finalmente de assistir a primeira temporada da série setentista Space Battleship Yamato (Uchū Senkan Yamato, ou numa tradução livre Encouraçado Espacial Yamato), e resumindo é como se Star Trek (Jornada Nas Estrelas) encontrasse Battlestar Galactica (série de 2003).

Explicando: A série é de 1974, e possuí desenhos de qualidade duvidosa, traços bem simples e por vezes bizarros, e animação que por pouco não parecem os desenhos americanos da década de 60, aqueles quase “Stop-motion” da Hanna Barbera. Isso contrasta diretamente com a série Jornada nas Estrelas, com seus cenários de isopor, roupas que mais parecem um pijama, e uma única nave aparecendo na maior parte da série. Mas é claro que em certos pontos vemos o esforço para melhorar isso nos detalhes, quando em algumas cenas vemos detalhes impressionantes. Também vale frisar pelo menos uma coisa que estão de parabéns são os desenhos da própria Yamato, sempre de altíssima qualidade e traços bem realísticos.

Mas fora o visual as comparações começam a melhorar.

Pontos fortes

Passando o choque do visual, que pode ser tosco a ponto do telespectador não querer assistir, começamos a ver as qualidades da série. O primeiro episódio apresenta um dramático sacrifício de um capitão para salvar seu superior: “Se eu não ficar nós dois morreremos!”. Adicionando a isso a destruição e explosão de naves (atingida por raios em câmera lenta), e o drama de um personagem que perdeu seu irmão, fui fisgados para uma série de uma década que não vivi. E esse drama, assim como outras situações de profundas reflexões filosóficas, contrasta diretamente com aqueles da moderna série de Battlestar Galactica.

A série possui muita aventura, mas os toques de drama é que atraem o telespectador. Sem o drama os personagens seriam bem chatos, e não possuiriam metade das personalidades que possuem. É comum ver sacrifícios, missões desesperadas, discussões entre personagens, e até um tímido romance, incrivelmente limitado para o restante do drama da série, talvez apenas por inabilidade do criador ou simplesmente para não deixar a série muito melosa – pelo menos não acabamos como o meloso Macross.

Outro fator interessante é o poder da nave Yamato. Provavelmente é uma das naves mais poderosas da ficção científica, e apesar do poder do canhão de ondas não ser maior que o da estrela da morte, outras qualidades da Yamato a tornam bem mais poderosa que ela, como a manobrabilidade muito superior, resistência (a nave fica toda ferrada, mas ainda pode funcionar parcialmente) e outras formas de ataque (cada uma mais legal que a outra). Sem duvida a Yamato derrotaria um cubo borg e uma estrela da morte juntos de mãos nas costas.

A história

Falando sobre a história em si, ela se passa no ano de 2199, e a vida na terra está quase em extinção devido a constante ataques de meteoros por parte da espécie alienígena Gamilions. Os oceanos estão secos e a radiação forçou a espécie humana se esconder em cidades subterrâneas. A situação está critica e em cerca de um ano a radiação chegará a níveis insuportáveis até mesmo para o subterrâneo. Por isso toda a frota de naves espaciais da terra se junta em plutão contra uma ultima investida, e é derrotada miseravelmente. Mas uma misteriosa nave cai em marte, e nela se encontra o corpo falecido de uma bela mulher, que traz a esperança da terra.

A mulher é a princesa Sasha de Iscandar, e na mensagem que trazia apresenta uma forma de salvar a Terra: O Cosmo-Cleaner-D será capaz de remover a radiação da Terra e salvar a humanidade, mas esse equipamento se encontra em Iscandar, um planeta que se encontra na grande nuvem magelânica, uma galáxia distante 148.000 anos luz da terra. Para executar essa missão nada trivial também é apresentado os planos de construção de um propulsor capaz de permitir que uma nave viaje distancias interestelares quase que instantaneamente, o motor de ondas (wave motion engine). Para isso a frota estelar da terra constroem esse motor secretamente nas ruínas do encouraçado Yamato, naufragado em batalha na segunda guerra mundial, restaurando o navio e transformando no Encouraçado Espacial Yamato.

Pequenos e divertidos problemas

A trama possui alguns furos: Não seria mais fácil Iscandar ter logo enviado os planos de construção do Cosmo-cleaner -D? Será que a tecnologia de remover radiação é tão mais complexa que a de viajar mais rápido que a luz que não pudesse ser construída na terra (assim como foi construída o motor de ondas)? Porque construir a nave nas ruínas do Yamato, e não em uma nova? Será que a terra não tinha mais nenhum recurso para construir uma nova nave do zero? E a nave que trouxe a mensagem de Iscandar até a Terra não poderia ter trazido o Cosmo-Cleaner-D?

A pesar disso, os furos e omissões pontos mais importantes são respondidos até o final da temporada, e a série se apresenta completamente criativa do início ao fim, até mesmo para os dias atuais.

Outro fato que lembra a série Star Trek é a interpretação do universo desconhecido. O espaço é cheio de interpretações absurdas para objetos do espaço, como a existência de um oceano de água em plutão, e ilhas flutuantes de rocha em planetas gasosos. Mas pelo menos na maior parte do tempo é bem mais verossímil que boa parte dos desenhos espaciais ocidentais dos anos 80, como Silver Hanwks, Thundercats ou He-Man.

Até mais ou menos o décimo episódio existe uma seqüência bem clara de continuidade, como planetas sendo visitados seqüencialmente, e bastante referencia a acontecimentos de episódios anteriores. Mas depois disso cada episódio é apenas levemente conectado ao anterior, apresentando mais ou menos uma seqüência de distancia, posições relativas no espaço, e outros fatores, mas exceto por isso a maior parte poderia ser visto isoladamente. Mas creio que mesmo nesse ponto que assistir aos episódios fora da ordem  possa diminuir o impacto de relevância da série. Nos episódios finais a série volta a ser bem conectada, e passam a ter uma forte integração entre os episódios.

Concluindo

No geral a série é fantástica, cheia de aventura, emoção, e com uma forte história, tanto individualmente em cada episódio quanto como um todo: é uma verdadeira obra de arte. É imperdível para os fãs de Ficção Científica e de os Otakus de plantão deveriam assistir para ver como realmente é uma grande série.

Dicas para quem for assistir, vejam a versão japonesa, com legendas em português, pois a versão americana possui alguns cortes em relação a alguns fan services (nada sexies diga de passagem) e principalmente quanto a violência, chegando a adicionar cenas para indicar sobrevivência de personagens.

Agora me dá licença que tenho que assistir os outros seis filmes e as outras duas temporadas dessa que agora é uma das melhores séries que já assisti!

6 Respostas to “Space Battleship Yamato: Busca por Iscandar (Patrulha Estrelar)”

  1. Alexander Costa Says:

    Onde vc conseguir baixar a serie???? Estou a tempos querendo baixar para rever.

  2. Valeu mesmo, já tinha ouvido falar, mas nunca vi, agora vou sim!

    • Mas esse link é tudo, até os filmes?

      • Não, a primeira temporada, mas no mesmo site você encontra a segunda, e os filmes você acha fácil um torrent com todos ou quase todos, tem que procurar um pouco mais para achar o filme de 1977 que sintetiza toda a primeira temporada.

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