OMNI Desatualizado! (parte 1)


Há alguns meses suspeitava que meu cenário de RPG, OMNI, provavelmente estivesse completamente desatualizado cientificamente, e hoje confirmei.

No inicio do cenário, por volta de outubro de 2009,  a base de OMNI, um cenário espacial, era abordar não apenas as estrelas próximas de nós, nem as estrelas em nossa galáxia, mas todo o universo. Logo de inicio tive um problema: Quantas espécies com tecnologia avançadas poderiam existir no universo?

A resposta era bem variável.

OMNI  Antes

Frank Drake foi o criador de uma equação que busca quantificar quantas espécies alienígenas civilizadas podem haver na via láctea. Utilizando a sua equação, Equação de Drake, e a alimentando com dados astronômicos e probabilísticos obtêm-se o numero de alienígenas inteligentes que podem estar do nosso lado (se é que 100.000 anos luz pode-se chamar de lado).

Levando em conta dados otimistas chegaríamos a um bom numero, suficiente para justificar um cenário tipo Star Wars ou Star Trek, levando em conta os dados mais pessimistas (ou realistas) chegaríamos a 1 ou menos de uma espécie em nossa galáxia, o que nos tornaria seres realmente especiais.

Para OMNI levei em consideração a pior estimativa, afinal com tantas galáxias no universo seria bem difícil conseguir lidar com bilhões de espécies, e ainda reduzi o número para comportar apenas espécies com capacidade de viagem intergaláctica.

Até o inicio do cenário as estimativas pessimistas eram parcialmente suportadas por três fatores: o Paradoxo de Fermi, a falta de dados, e as tentativas das religiões em manter o homem como um ser especial no universo.

O Paradoxo de Fermi

Enrico Fermi foi um notável físico, conhecido como nada mais nada menos como o Pai da Bomba Nuclear. Em uma conversa com colegas nos meados do século passado sobre UFOs, ele repentinamente perguntou “Onde eles estão?” e começou a fazer uma série de rápidos cálculos estimados, sua especialidade, chegando a conclusão que nós já deveríamos ter sido visitados a muito tempo a traz.

A partir dessa conversa foi postulado o famoso paradoxo que de forma simplificada é: Se deve haver tantas espécies alienígenas no universo, por que não existem evidencias de suas existências?

Sobre a suposta falta de evidencia, talvez seja apenas falta de tecnologia, ou de compreensão de nossa parte em identificá-los (ou talvez eles que não queiram ser identificados).

A Revolução de Kepler

Então chegamos no segundo ponto: Falta de dados. Quando comecei o cenário OMNI havia apenas cerca de três centenas de exo-planetas descobertos, e a grande maioria muito maior que a terra. Apenas 2 planetas tinham possibilidade de estar dentro da zona habitável, região ao redor de uma estrela que um planeta possa suportar água no estado líquido.

Felizmente, para a ciência, esse segundo ponto agora não é desculpa.

O telescópio Kleper foi lançado em 5 de março de 2009, com a missão de identificar novos planetas através de uma técnica que identifica a diminuição de luminosidade que um planeta gera ao passar na frente de sua estrela, por isso só consegue identificar planetas que passem na frente da estrela em relação ao telescópio. Os primeiros resultados da analise dos dados desse satélite começaram a sair esse ano.

Há algumas semanas os cientistas que analisam os dados no telescópio Kleper relataram a descoberta de uma estrela com 6 planetas em seu sistema, todos muitos próximos e alguns de tamanhos similares ao da terra. Quarta feira da semana passada (só que vi hoje), a mesma equipe disse que havia 1.235 candidatos a planetas (mais do que todos os exo-planetas encontrados até hoje) , sendo que 54 podem estar na zona habitável, e destes 5 possuem tamanho similar ao da Terra (até 1,25 vezes ao da terra).

O numero por si só é impressionante, mas fica ainda mais quando analisamos três das limitações do telescópio: Os resultados obtidos são apenas de dados entre maio e setembro de 2009, restando analisar dados até 2011, e os futuros dados que capturará até pelo menos 2012.  O telescópio analisa apenas uma pequena porção de nossa galáxia, consegue detectar estrelas com até 3000 anos luz, e um campo de visão de apenas 1/400 do céu, restando para analise apenas 156.000 estrelas no campo de visão do Kepler. E ele só identifica planetas que estão cruzando o espaço entre a estrela e o telescópio, restando muita vezes mais planetas que provavelmente não cruzam a sua estrela em nosso campo de visão.

Isso levou a seguinte declaração de um dos pesquisadores da missão: “O fato de que encontramos tantos candidatos a planeta em uma fração tão pequena do céu sugere que há incontáveis planetas orbitando estrelas como o nosso Sol em nossa galáxia.”

Infelizmente não possuo tempo para tentar alimentar as Equações de Drake com esses novos dados, mas tudo parece confirmar o “Principio da Mediocridade” .

O Principio da Mediocridade

Esse principio foi desenvolvido ao longo do tempo e, como resultado, culmina no conceito que não há nada de extraordinário na terra ou nos humanos.

No inicio o homem achava que a terra era única e que tudo no céu girava em torno dela. Depois descobrimos que nós que giramos ao redor do sol, e que além disso existem outros planetas em nossa vizinhança (e que até pouco tempo acreditava-se na possibilidade de haver civilizações avançadas). Descobrimos que existem muito mais estrelas do que achávamos que existia, e estas se organizavam em galáxias, e que também não estamos no centro de nossa galáxia. E observando todo o universo observável, também é provável que, se existir um centro no universo, não estejamos no centro dele.

Além do mais, assim como galáxias são comuns no universo, assim como estrelas são comuns no universo, agora confirmamos que planetas são comuns no universo, e que por conseqüência nos levará a conclusão que a vida é comum no universo, e provavelmente a vida inteligente seja comum no universo e em nossa galáxia, e até em nossa vizinhança. Isso tudo sem levar em considerações as evidencias de nossa mediocridade encontradas nos avanços das ciências biológicas.

Sobre o terceiro ponto não discuto aqui, e deixo para vocês a reflexão, mas acredito que o universo, e sua perfeição, é a própria prova da existência de algo superior, e não é o fato de não sermos únicos que não deixará de ser o que somos.

E Agora OMNI?

Essa é uma pergunta que ainda não tenho condições de responder, mas que pode nos levar a várias abordagens no cenário.

Acredito que o Paradoxo de Fermi é respondido por vário fatores: primeiro pela dificuldade em se viajar pelas estrelas. Segundo nossa tecnologia pode ser “primitiva”, incapaz de captar sinais que percorreram o espaço de forma clara. Terceiro nossa incapacidade de compreender estes sinais, pois assim como dificilmente entendemos métodos de comunicação de outras espécies no nosso proprio planeta, quem dirá identificar sinais de transmissão de outras espécies em outros planetas.

Mesmo assim em um mundo fictício onde a viagem mais rápida que a luz exista, não é muito realista que apenas algumas espécies tenham capacidade de viajar mais rápido que a luz. Se levarmos o Principio da Mediocridade em conta, se nós descobríssemos a viagem FTL (Faster Than Light, mais rápido que a luz), por que qualquer uma das outras milhares de espécies inteligentes nos milhares de planetas também não descobririam, se muitas tiveram muito mais tempo que nós para descobri-la.

Isso pode ser respondido com uma palavra: Singularidades.

Já falei um pouco sobre elas aqui, as singularidades são eventos que crescem em magnitude de forma exponencial, crescendo cada vez mais e cada vez mais rápido, até chegar em um ponto que o evento chega ao infinito, culminando em algo completamente diferente do que era anteriormente.

A singularidade da matéria são os buracos negros, a singularidade da computação podem ser as inteligências artificiais auto-aprimoradas, a singularidade da medicina é a imortalidade…cada singularidade ao ser atingida  muda completamente o mundo ao seu redor.

Visto isso, acredita-se que a criação de algumas singularidades, em especial a da computação, pode ser fatal para uma civilização.

Felizmente (ou infelizmente) esse conceito é a base de vários RPGs, em especifico o Eclipse Fase.

Então, para tentar solucionar o problema do cenário, podemos acrescentar como antagonistas as Singularidades no universo.

CONTINUA…

 

 

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3 Respostas to “OMNI Desatualizado! (parte 1)”

  1. Não sabia que você se preocupava com essas pesquisas, isso torna o cenário mais interessante, e adorei a solução! 😉

  2. Tio Lipe "Cavaleiros" Says:

    Olá!
    Cara, demorei a ler, mas fiquei impressionado com a profundade da sua pesquisa para a criação do OMNI. Pensei um pouco a respeito sobre “o que vc pode fazer com o sistema”, e creio que vc terá que se decidir em fazê-lo ou esperar para sempre. Novas descobertas científicas sempre surgiram, e esperar por mais delas o fará esperar por tempo demais… o suficiente para não conseguir escrever o OMNI. Claro que, de certa forma, estou extrapolando a sua incerteza atual, mas penso que vc tenha material o suficiente para tentar “continuar” (ou “recomeçar”, não sei).

    De qualquer forma, nunca um cenário de viagens espaciais me chamou tanta a atenção quando o OMNI.

    Até and Bye…

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