Complementando o Debate RPG: Revistas


Aqui vai alguns comentários, que complementão o debate RPG 02, sobre minha visão das revistas de RPG no Brasil, em especifico a Dragão Brasil.

O início da Era de Ouro

Eu acompanhei a Dragão Brasil desde o início, na verdade comecei a jogar RPG com uma revista dos Trapalhões RPG, depois vi o comercial de Hero Quest em uma revista em quadrinho e comprei no dia das crianças (se não me engano) no ano de 1993/1994 (Putz, quase 20 anos de RPG!).

Então um amigo meu me apresentou D&D, caixa vermelha da Grow, GURPS, e a Dragon. Antes de adquirir outro RPG (considerava Hero Quest um RPG de verdade), peguei emprestado o GURPS e joguei a aventura solo que existia lá, também dei uma olhada na Dragon dele.

Nas bancas tinha a Dragon, só que numero 2. Eu bobo que era pensei, não vou comprar, quero primeiro a 1 (afinal tinha o costume de ler quadrinhos, cujo a jistória continuava de uma pra outra). É claro que em Mossoró-RN nunca acharia a edição anterior, até que então surgiu a Dragão Brasil!

Achei que era uma nova revista, nem vi o numero da edição, que era 3, comprei na hora. Muito boa revista e comprei quase todos os números até mais ou menos a edição 100, que odiei com muita força.

A polemica do Nome plagiado

Sobre a mudança de nome, creio que eles queriam que a revista fosse a Dragon (revista oficial da TSR) brasileira, ou pelo menos a versão tupiniquin oficial, com o nome devidamente plagiado da americana ocupando o espaço de uma futura versão oficial brasileira (se a TSR e detentora de seus direitos no Brasil não quisessem aceitar que eles a publicassem).

Eles alegaram que estavam cansados de serem confundidos, mas quem que conhecia a Dragon americana (eu não incluso) não achou que eles realmente eram a Dragon no Brasil?

Nós podemos dar o voto de confiança para eles, afinal todos somo inocentes até que provem o contrário, mas como eu sei da força do jeitinho brasileiro, acredito que eles tiveram foi malandragem.

Isso não é uma ofensa nem acusação dos autores da revista, mas se o nome Dragon não estava registrado na época, qualquer um poderia pegar o nome, e mantê-los mesmo não sendo a Dragon oficial no Brasil, e parece que isso não é crime nem nada, apenas uma certa esperteza e brecha na lei.

Eu acho que a fronteiras não são algo muito agradáveis, confinar um ser humano entre barreiras imaginárias é uma desumanidade, visto que nós já estamos confinados no planeta sem opção, então gosto de todos os acordos internacionais, que fazem o mundo todo uma unica nação cada vez mais proximo, e o plagio internacional é algo que acho bastante desagradável. Então NÃO estou dizendo que foi certo, nem dizendo para fazerem o mesmo, apenas dizendo que se podiam fazer dentro de lei e tal, quem sou eu para contrariar?

Mas se alguém não achar correta minha opinião, basta escrever ai nos comentários, ou escrever uma própria matéria em seu blog, ou para esse (que publicaria como direito de respostas sem problema).

Continuando a Era de Ouro

As primeiras edições da revistas eram ótimas, com matérias inovadoras, vários sistemas, resenhavam tudo que era lançado (também era relativamente pouco), e lançavam suplementos (NPCs, aventuras, mini-cenários) de grande criatividade e qualidade. Era uma era de ouro. Quem viveu aquela época e nunca parou pelo menos para ler a enorme aventura disco dos 3? Uma aventura em três partes!

Com o tempo lançaram Defensores de Tóquio, em um suplemento junto da revista, Tormenta, que pegaram vários NPCs e lugares de matérias da revista e juntaram em um mundo só, e para três sistemas! Lançaram também Trevas, a primeira edição, que deu origem completamente ao sistema DAEMON (Pelo menos essa e a ideia que tenho até hoje, mas pode ter sido diferente), e geraram até outras revistas irmãs, Só Aventuras, com mais material para aventuras em si do que para jogador, e depois Tormenta, com matérias só do cenário que agora já tinha livro próprio.

Anos após ano a revista continuava com sua publicação mensal, de vez enquando outra revistas surgiam, mas nunca chegaram a ameaçar o reinado da Dragão Brasil. O porque de tantos fracassos não sei, mas acho que faltou algo mais em cada uma, um cenário inovador, abordar outros temas que a Dragão não abordava (aventuras solos, sistemas mais alternativos, matérias realmente inovadoras, como aquelas que existiam no inico da Dragão…). E é claro qualidade gráfica e editorial, nenhuma era tão agradável de ler quanto a drgão, ou tinham arte realmente melhor, apesar de algumas possuírem qualidade de papel até melhor.

A Dragão Brasil cresceu, e como seus próprios produtos (e talvez o ego), começaram a não dar muito suporte para seus concorrentes, como GURPS, que tinha um bom numero de matérias no início, praticamente sumiu nas ultimas edições. A auto propaganda também era muito forte, como novos produtos para o D&T, agora na segunda edição e muita adaptações de animes, algumas muito boas e outras nem tanto.

Isso marcou uma era ótima para os fãs incondicionais dos produtos da revista, e de animes. Mas e os RPGistas que gostavam de GURPS, aventuras mais tradicionais de D&D, ou simplesmente a velha e boa criatividade quase caseira da antiga DB (Dragão Brasil)?

A revista não tinha mais espaço para isso, evidentemente tinham tomado um rumo mais focado, não eram uma revista para todos.

Isso não foi uma época de decadencia, pelo menos não segundo eles. Nessa época eu deixei de comprar a revista, assim como vi muitas outras pessoas a abandonando ao longo do tempo, principalmente por não gostarem apenas de D&T e outros produtos da casa. Mas os fãs mais fiéis a compravam, pelo menos é o que me disseram.

O Fim (por enquanto)

A revista havia mudado com certeza, assim como o mundo. Uma nova cultura surgiu, os Otakus, com toda uma carga cultural fagocitada e transformada dos, já estranhíssimos, japoneses.

Mas na edição 111 a revista acabou, os autores, chamados de Trio Tormenta (Cassaro – o Paladino, Saladino e Trevisam – ou doutor careca) saíram da editora. Segundo eles a editora não estava repassando o devido lucro da revista para eles, e segundo a editora a revista estava na verdade tendo baixas vendagens.

Acredito que possa ter havido um misto dos dois. Mas acho que nunca saberemos qual das partes estão certas, afinal não sei de nenhum processo aberto pelos autores (que precisariam de provas para ganhar, que com certeza seria bastante difícil consegui-las, se não impossível, ou talvez simplesmente não existissem), e mesmo que se tenham aberto, as vezes não é a verdade que vence em um tribunal.

O Ressuscitou no terceiro dado

Depois da saída do Trio a editora teve uma idéias para manter a revista na ativa, por que não chamar quem já faz RPG quase de graça, todos os dias e com algum sucesso na internet, o grande boom da vez?

Esse “quem” era o site da Rede RPG, e por traz do site havia uma pessoa, que se tornou o editor da revista, o Marcelo Telles.

Ele tocou a revista de forma completamente diferente da equipe anterior. Ao inves de animes, tínhamos matérias que seguiam o que era feito no portal. Traduções de matérias americanas, cenários e matérias feitas pelo público-autor da internet, e uma visão mais alternativa do RPG eram o foco da revista.

E demorei um pouco para saber que a Dragão tinha mudado de linha editorial, que não publicavam mais animes, e adaptações fast-food.

Quando soube voltei a comprar a revista. Era interessante, realmente não tinha a mesma qualidade gráfica, mas também não tinha animes e outras coisas que não gostava, era algo mais “RPG das antigas”.

Não que a revista fosse completamente boa. Algumas coisas até que estavam legais, mas nem tudo. Depois de algumas edições, vi até uns materiais muito bons, e uma crescente na qualidade da revista. Mas então o trio Tormenta chegou, só que agora para caçar o dragão.

Caçando o Dragão

Era a Dragon Slayer, a atual revista do Trio Tormenta, que seguia com quase 100% da mesma linha editorial, inclusive mantendo os mesmos personagens nas cartas dos leitores e nomes de algumas colunas. Só que agora o foco era apenas D&D 3 Edição, e nada de 3D&T, que era um produto na verdade da antiga editora.

No inicio é claro que não comprei, para que eu iria querer apenas adaptações de animes? Mas eles estavam lá, agora em outra editora, e de certa forma pelo menos desde a ultima vez que tinha visto, com uma qualidade gráfica melhor do que existia quando abandonei a Dragão Brasil.

É claro que enquanto comprava a Dragão Brasil da Rede, eu ficava de olho no site, e também via a outra revista crescer e inclusive entrar em alguns debates ferrenhos, e publicarem material idênticos do mesmo autor. O Caçador estava realmente caçando o Dragão.

Sub…desceu até o Fim

A briga afetou muito os dois concorrentes, mas de forma diferentes.

A Dragão Brasil da Rede realmente não parece ter agradado o público, ou pelos menos não o antigo, e o atual podia ser muito pequeno para sustentar a revista. Mas ainda era a única.

Com a chegada da DS, o que podia estar difícil realmente ficou impossível, e a Rede não conseguiu manter as vendas, culminando inclusive na mudança de editor. Foi quando achei alguns dos melhores numeros da nova Dragão, e também a criação de um cenário que achei bastante interessante, As Cronicas da Sétima Lua .

Mesmo assim, não deu. O Dragão não ia vencer o caçador de Dragões, e finalmente a revista chegara a um fim na edição 122, e lembro de ver em alguns comentários de pessoas ligadas a revista foi devido a baixas vendagens.

A Ving… Vitória do Caçador

Agora sem nenhum concorrente o caçador estava livre para se vangloriar.

Nessa época até eu já comprava a revista, pois estava querendo conhecer um pouco mais o Hobby e produzir algum material, e para isso precisaria conhecer todas as revistas e produtos ligados ao que queria fazer.

O que eu sempre lamentei na DS era o editorial. Editorial atrás de editorial era a constante crítica contra a DB, rebaixando a níveis subterrâneos qualquer coisa ligada a mesma.

No fim eles venceram a guerra, e continuaram com o editorial, mas a revista nunca seria mais a mesma. Não, a qualidade de certa forma tinha até aumentado, com a dominação quase completa de um “novo Trio Tormenta”, alguns antigos autores da saudosa e ótima revista D20 Saga (considerada por alguns a melhor revista de RPG do Brasil até hoje).

Hoje a revista publica adaptações dos melhores produtos de outras mídias, como cinema, games e animes, abandonando um pouco de matérias mais infantis, além de material realmente, geralmente de seus próprios cenários, e novas  e importantes dicas de jogo.

Na verdade o que tinha mudado na revista era o preço. Ela foi subindo de preço, e subindo, até que em alguns saltos chegou nos atuais 14,90 R$.

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14 Respostas to “Complementando o Debate RPG: Revistas”

  1. A DS hoje, é bem pouco do antigo trio, até o tormenta, se for ver. Eles começaram, e dão pitacos, mas parece que escrevem bem pouco agora.

    • Verdade, o cassaro está focado em outros projetos (Turma da monica jovem, Holy avenger, suplementos de Tormenta…)
      O resto do grupo também devem estar ocupados com material de Tormenta e afins.

      Afinal RPG apenas não deve dar uma renda saudável.

  2. Rodrigo, simplesmente uma ótima descrição da cronologia. Concordo com cada palavra. Parei de comprar na mesma época em que os animês, 3D&T e D20 tomaram conta da revista, depois voltei a comprar com a entrada da RedeRPG.

    Sinto muito mesmo que hoje não tenhamos uma revista feita para RPGistas e não para fãs de um um sistema ou outro. Os fãs devem adorar, com certeza, mas sempre achei que o caminho foi equivocado, ao se tirar o foco do público em geral e olhar apenas para a “menina dos olhos”…

    Enfim, parabéns pela descrição e obrigado por me ativar o saudosismo…

    • Ainda bem com os blogs não precisamos de mais revistas, além de existir várias revistas virtuais para quem não quiser pagar nem um centavo com a DS.

      • Rodrigo, sinceramente eu sinto falta das revistas impressas. Assim como o RPG tem várias facetas, acho que o material impresso tem seu charme. Sem contar que, sendo o material impresso, a exigência pela qualidade é maior e, consequentemente, a qualidade aumenta. Acredito eu.

      • O grande papel das revistas de RPG são atrair novos públicos, aqueles que vão em busca de um quadrinho e vem a revista com aquele quadrinho e compram, e quando lêem podem descobrir o que é RPG e entrar para o hobby, mas com o preço de 15R$ ninguém compraria uma revista por curiosidade.

  3. putz, finalmente alguém escreveu algo q realmente concordo sobre a história da Dragão Brasil, os bons tempos eram antes 3d&t e durante a RedeRPG.

    Também sinto falta de uma revista de RPG 😦 sempre gosto do material impresso. Adoraria comprar uma versão impressa da Reduto do Bucaneiro #1

  4. Urathander Says:

    Na realidade o final da cronologia está equivocado, o Trio Tormenta se uniu à Manticora da d20Saga, lançando da Dragon Slayer que durou 3 ou 4 números e naufragou, só retornando quase um ano depois com a Editora Escala, mais ou menos no mesmo período a DB continuou sob a administração do Telles e depois passou para as mãos de outra pessoa (esqueci o nome), até que depois de 2 ou 3 números fechou as portas.

    Pessoalmente eu gostei da revista até o número 50 a partir daí meu interesse diminuiu gradativamente tendo em vistas o foco exagerado em 3D&T e anime/mangá, que não me agrada.

    Quanto às ações judiciais, me parece que o Trevisan fez acordo (dito por ele mesmo em uma lista de discussão) e o Paladino continuava com a ação até alguns anos atrás, depois não tive mais notícias. Mas como dito, acredito que a verdade seja o ponto médio entre as alegações do Trio e da editora.

    • Obrigado pelos maiores detalhes Urathander, realmente foi um periodo que não acompanhei muito, um periodo que não comprava nenhuma das revistas (estava terminando a graduação então quase nem jogava RPG).

      Mas valeu pelos esclarecimentos.

  5. É bons tempos os tempos que a Dragão Brasil são se importava apenas com Tormenta e 3d&t. Quem sabe não veremos uma revista tão interessante quanto daqui a alguns anos…

    obs: gente deem uma passada lá no blog falando de rpg

  6. Sou um leitor, que gosta de folhear as páginas de papel. Comprava na época a Dragão Brasil – realmente os números antigos eram melhores -, a Dragon da Abril, a Dragão Dourado, etc.
    Sinto falta de uma revista mensal que fale de todos sistemas, mesmo que eu não jogue gosto de saber sobre eles.
    Sinceramente gosto de ler no banheiro, na cama, no ônibus, etc. Só com papel ou um leitor de texto.

  7. Achei que era o único que considerava ridículo os editoriais da DS se vangloriando da vitória em cima da DB de Telles e cia.

    Só faltou mencionar os vexames que a DS deu na sessão de cartas mandando indiretas ao M.Telles com aquelas charges ridículas assinadas pelo Marcelo Cassaro.

  8. Tem coisas que é melhor nem comentar.

  9. oque dizer?dizer que guando chega a DS na banca, o tie de la me liga(é meu amigo)pra avisa que a revista chego,e pelo fato dele não guardar encomenda tenho que comprar o mais rapido possivel(1ou2 dias no macimo)ates que se esgote.Eu tambem gosto mais de rpg classico(não dos reinos esquecidos),comprei algumas ediçoes do telles,mas não á como negar,o trio(agora o novo trio da jambo)escreve(mesmo materias chatas) de forma mais cativante e criativa que outros editores e escritores.E cara dizer anime e 3det arruinarao o rpg no brasil é errado,pois eu e meu grupo nunca fomos fas de fantasia,fomos parar n DB pelo anime e acabamos gostando dos erdeiros de tolkien,e hoje creio eu se não foce o anime,os filmes,series e 3det o rpg brasileiro estaria as moscas.

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