MAIS DO MESMO: Será que dá para inovar?


Na ótima matéria do Shido no .20, que falava sobre os temas escolhidos pelo publico do novo cenário do RPG Online e do POP Dices, fiz o seguinte comentário:

“O tema foi muito bem abordado, Shido. Mas as bases do cenário podem esconder o X da questão”.

OBS: As partes de vermelho são milhas correções, citei o Antonio quando queria ter citado o Shido, e não conectei bem minha frase, pois queria dar um outro lado.

Então o Antonio do POP Dices me perguntou em um e-mail (Alguém ainda usa isso? 🙂 ):

“Vi sua resposta lá no .20 mas não entendi o que vc quis dizer. Poderia ser mais claro?”

Então fui respondendo o e-mail do Antonio, e vi que tinha tido umas idéias bem bacanas. Lhe enviei um e-mail com elas, e espero ter contribuído para construção do cenário.

Japones é tudo igual!

Japones é tudo igual!

Mas não achei o e adicionei mais alguns detalhes nas respostas e criei essa matéria. Então vamos ao ponto ao que interessa:

Mas sabem inovar como niguem!

Mas sabem inovar como ninguém!

MAIS DO MESMO?

Estamos em uma era onde coisas inovadoras são raras, idéias repetidas, misturas de temas para inovar, juntar o bizarro com o bizarro, como diria Mikhail Lomonosov: “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.

Essa frase é tão certa que na verdade foi copiada e POPularizada por Lavoisier, que a “roubou” e hoje a conhecemos como Lei de Lavoisier.

Mas é claro que muitas coisas são inovadoras, principalmente as idéias, mesmo que sejam um apanhado de coisas que vimos de forma primitiva, e a transformamos em algo rebuscado e as trazemos para um novo “meio”, onde ela nunca foi usada. Exemplos: Matrix, Senhor dos Anéis, Star Wars, Cavaleiros dos Zodíacos, O próprio RPG… Claro, nem todas essas idéias forma exatamente as “originais”, mas foram as que tornaram populares , e vamos tratá-las como originais para devanearmos menos.

Nas opções do POP Dices, tivemos algumas idéias incomuns, mas nenhuma realmente original. São idéias tradicionais, algumas pouco abordadas, outras mais do que batidas. Mas foram essas escolhidas pelo publico (mesmo que muitos digam que o publico da internet ainda não seja o mais indicado para nenhuma pesquisa séria).

Mas poderiam essas idéias gera um cenário bom e inovador, ou teremos um novo Greyhawk brasileiro?

Então peguei cada uma das idéias mais batidas do RPG mundial e sugeri as opções abaixo:

ok

Há 1.000 anos fazendo a mesma coisa!

Tecnologia Medieval: O super tema batido do RPG!

Mesmo que a tecnologia seja apenas medieval, podemos trabalhar em cima do por que ela ser medieval, e ai teríamos duas grandes vertentes:

1. Criar uma história do por que de uma idade das trevas, desde uma história bacana da queda de um grande império decadente, como o império romano no mundo real. Nesse caso o legal imaginar que tipos de impérios poderiam ter existido: um império de magos caídos (veja mais abaixo); um império dracônico, como no meu cenário – mesmo não sendo medieval; Um mundo tecnológico, como o mundo de Thundar, o Bárbaro!; e assim por diante. Diante desse império deveremos construir uma história plausível sobre sua queda, e assim darmos sabor ao prato de cada dia.

A segunda vertente é explicar o por que dele ainda ser medieval durante milênios inteiros:

2. Os sacerdotes de um deus matam quem cria algo novo: Somos compostos por átomos? O mundo é redondo? Pólvora? Motores a vapor? Eletromagnetismo? 2 + 2 = 4? Morra infiel!

3. Os próprios deuses(!) matam quem desenvolve tecnologia avançada;

4. Um vilão ou grupo adquire as novas tecnologias desenvolvidas, matando os criadores e iniciando a construção de armas de guerras poderosíssimas!

5. Os lideres e a própria população são super tradicionalistas e tratam quem cria tecnologia como hereges (opção chata ao meu ver 🙂 )

A princípio o que poderia ser algo tão comum como pão, pode esconder um recheio digno de um brioche! Muitas idéias novas podem ser criadas tomando base esses dois ramos, mas pararemos por aqui e vamos para os próximos passos.

Magias é mais comum no mundo que escovar os dentes!

Tantos Magos, e todo ano chegam mais!

Tantos Magos, e todo ano chegam mais!

O mesmo pode ser feito com o fato de um mundo onde a magia é capaz de fazer um filme de Stra Trek Vs. Star Wars parecer ser um filme preto e branco. Basta perguntarmos e respondermos: Por que a magia é tão alta?

1. Não há deuses da magia a controlando, e um novo deus poderia acabar com a mamata de muitos conjuradores.

2. Os mortais estão roubando os poderes dos deuses pela magia. Nesse caso nem os deuses podem saber da verdade, mas uma vez sabendo poderíamos transformar o cenário em uma caça as bruxas!

3. Os mortais estão roubando a força da natureza (Dark Sun) e destruindo o mundo. Os druidas poderiam ser grandes antagonistas dos magos, levando tribos bárbaras a atacarem o reino de alta magia;

4. O uso da magia pelos mortais acaba por abrir portais a seres demoníacos, ou criar os próprios seres, que estão destruindo o mundo. Algo como a Tormenta (do cenário tormenta) ser culpa dos magos!

Nesse caso temos muitas possibilidades, e é onde muitos cenários pecam por não explicar a existência da alta magia, cenários onde elas existem apenas por existir, e permitir um sistema de regras com magias overpowers … Até agora meu cenário se encaixava nessa falta de criatividade, mas tive a idéias de que a magia existente foi roubada dos dragões, e penando em colocar os magos para ter acesso a círculos altos de magia precisam matar um dragão (assim justifica a caçada de dragões hehe!)

Os deuses são tantos que brigam constantemente por cada centímetro das nuvens!

E esses só são os lideres dos panteões!

A coisa mais bizarra que eu já vi nesse quesito foi Forgotten Realms, onde cada raça possui uma dúzia de deuses, e os humanos possuem quase uma centena deles, muitos vindos do planeta terra! São panteões ricos, multi-culturais, criam uma bela gama de possibilidades para clérigos, paladinos, druidas, rangers… mas acabaram por se tornar mais do mesmo.

Nesse caso ainda temos muitas possibilidades de inovar, e foi um dos temas perguntados pelo POP Dices que apresentava boas novas opções, mas o clássico foi novamente o escolhido. Aqui a grande jogada em como esse panteão é organizado, e “o que” de fato são os deuses. Respondendo a essas perguntas podemos trazer novas e fantásticas opções. Aqui vão algumas delas:

1. Os deuses são seres super poderosos, mas capazes de serem mortos – talvez mais facilmente que um Tarrasque – mas mais difícil que um Titã. Que brincam com a humanidade por mero prazer, colocando criaturas para desafiar os próprios seguidores. Nesse caso a luta contra eles pode ser o objetivo da missão, e criar tramas muito interessantes, como o clérigo/paladino do grupo descobrindo que seu deus que criou aquele monstro para lutar contra ele, como forma de torná-los um grande herói. Alem de explicar o por que das criaturas serem colocadas nos níveis certos de desafio para enfrentar os personagens, ou ninguém nunca percebeu a estranheza das aventuras prontas em não existir desafios impossíveis de serem vencidos?

2. Os deuses são seres super poderosos, mas com pouco tempo de vida, e que precisam ser substituídos por um de seus seguidores para passar o poder, algo como a mistura do estamos precisando de deuses da opção do POP Dices. Mas esse segredo poderia abalar a fé de muitos e gerar até o grande deus vilão do cenário, que após descobrir que seu deus da justiça e da verdade mentiu pra ele, e o “herói” acaba por se tornar o novo deus da justiça, mas agora se tornou “maligno” e luta contra os outros deuses para acabar com a “mentira”. Aqui existem muitas possibilidades de tramas, fiquem de olho.

3. Os deuses são seres criados pela força do coletivo imaginário, onde o vilão descobre isso, e inicia a construção de um novo deus do mal.

4. Os deuses são seres realmente divinos, mas protegidos por um pacto de não agressão (como em tormenta), onde os mortais entram em grandes guerras em nome dos deuses, destruindo cidades que cultuam deuses pequenos e os tornando esquecidos, mas escravos do deus que “comandou” as tropas que destruíram seus seguidores.

5. Os deuses são seres realmente divinos, e protegidos por um pacto de não agressão, como no anterior, mas misteriosamente há alguns anos, um dos deuses foi assassinado, ato que só pode ser frealizado por outro deus, só que isso voltou a acontecer, e agora todos, desde mortais até os deuses, procuram saber o que está acontecendo, quem matou o deus do mal e o deus da justiça? ou alguma combinação intrigante.

6. Os deuses são seres criados por outro(s) deus(es) imensamente mais poderosos, com o intuito de fazer as raças prosperarem e se reproduzirem, até o fatídico dia onde o(s) criador(es) volta(em) para se alimentar de sua fazenda de almas. Essa veio direto da viagem do Neil Gaiman na serie Os Eternos.

É isso ai, espero ter ajudado a iniciativa do POP Dices e do RPG Online, assim como qualquer mestre que esteja criando seu novo cenário, e ele esteja ficando com a cara de outro mundo. Trate isso como uma caixa de surpresas, utilizando essas dicas para fertilizar um campo de idéias cujos nutrientes estejam exauridos.

6 Respostas to “MAIS DO MESMO: Será que dá para inovar?”

  1. […] sobre o assunto, com sugestões de como inovar um mundo de campanha nos mesmos moldes que o blog Pergaminho Dourado fez, mas eu vou deixar a coisa toda meio de lado atentar para um outro aspecto dessa mesma […]

  2. Só digo uma coisa, mais um medieval? É por isso que fica difícil quando vc vai falar de RPG para quem não conhece explicar que o jogo não é só elfos, anões, dragões e magia…

    Mas… boa sorte no projeto!

  3. Dicas bacanas, cara. Tomara que essa matéria tenha um alcance grande, a ponto de donos de cenários famosos daqui dêem uma explicada nas cagadas de seus produtos. =P

  4. Ontem o Blog teve 106 acessos, foi o recorde :), hoje já está com 86 visitas 🙂

  5. Há alguma informação sobre este assunto em outras línguas?

  6. Green card, acho que sim, mas não pesquisei nada sobre!
    OBS: Editei seus links por acha-los suspeitos.

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