43° Dia
Tudo estava pronto, restava agora a viagem.
Pegamos a estrada ainda pela manhã, não tão cedo como gostaríamos. Eu dirigia o caminhão, mesmo com nenhuma experiência nesse tipo de veiculo me arriscava, esperando que não fosse tão diferente de um carro. Os demais seguiam a trás com duas pickups.
Evidentemente essa não era a melhor formação e logo depois de encontrarmos o primeiro obstáculo resolvemos mudar, colocando uma das pickups para seguir na frente como batedor e sinalizando para o caminhão, que possui uma resposta mais lenta, bem antes de qualquer perigo aparecer.
Quando a noite estava próxima paramos em uma pequena cidade as margens da BR, uma cidade que já conhecida por servir como ponto de parada de viajantes. Agora restava apenas um cemitério com alguns poucos ônibus, e restaurantes de viagens as moscas.
A noite foi simples, com bastante conversa entre o grupo, todos aquecidos em cobertores, proteção suficiente para aquecer uma pessoa no clima do nordeste.
Fiquei imaginando os problemas que outras pessoas estariam enfrentando em regiões mais frias. Fogueiras poderiam ser fáceis de serem feitas, mas poderia trazer um risco adicional de denunciar a localização de seu grupo para gangues e demais grupos perigosos.
Mesmo assim poderia também servir de alguma proteção, contra possíveis perigos que poderiam se esconder na escuridão.
No meu caso a escuridão era entediante. Nada a ser feito a não ser conversar e botar o bebe para dormir o mais cedo possível.
Foi durante essas conversas que uma velha forma de se entreter ressurgiu: Livros.
Um dos novos membros do grupo tinha trazido uma pequena coleção de livros para se distrair, e eu mesmo estava interessado em terminar de ler uma série de livros das crônicas de gelo e fogo.
Não me contive e peguei um dos livros emprestados, usando a luz de uma vela para ler poucas páginas, o que se mostrou mais do que ineficiente, então tratei de procurar uma lamparina na cidade, o que não foi difícil de achar mais seria mais difícil de conseguir.
Na varanda de uma pequena casa da cidade seus habitantes se protegiam do escuro com um pequeno lampião de óleo, e depois de negociar um pouco e lhes dando um protocolo em troca, que os ensinariam a fazer um carro funcionar, eles me cederam a velha ferramenta agora indispensável.
Assim acabei o dia, lendo um livro sob a luz de um lampião, o que me permitiu passar até boa parte da madrugada fugindo do mundo realmente escuro a minha volta.
CONTINUA…
Março 17, 2012 às 7:05 pm
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