22° Dia


…NO DIA ANTERIOR

Estávamos cercados, éramos reféns do medo, estávamos em maior quantidade, mas pelo menos quatro deles estavam armados, nosso pequeno grupo só possuía uma arma e um marcador de paintball, inofensivo.

O que eles queriam era incerto, só pediram para todos ficarem quietos, e para que passassem qualquer coisa que tivéssemos arrisquei em não passar nada, pelo menos em quanto eles não pedissem para todos nós ficássemos nus.

Eles esperaram toda a noite, não pretendiam se arriscar na escuridão total. Quando o dia começou pediram para cada um os levarem até suas casas, provavelmente para saquear qualquer comida e equipamento de utilidade. Felizmente entre eles parecia existir alguma “honra” e não molestavam ninguém além de pancadas para que fizessem o que queriam.

É claro que durante a noite não fiquei parado, consegui guardar bem a arma entre as pernas e enrolei o marcador em um pano e escondi no cesto de lixo do banheiro da igreja, esperando que ninguém se preocupassem em jogar o lixo fora naquela situação.

O procedimento deles era simples. Pegavam a família toda e a levavam, assim podiam apenas observar enquanto nós mesmos saqueávamos nossa casa, assim mantinham a família como refém enquanto levavam dois até a casa onde fariam o saque.

Na nossa vez tinha que agir rápido, liguei nosso carro, um armado iria conosco e outro em outro carro. Liguei o carro e quando meu primo já estava na direção, pronto para sair, era minha vez de agir. Puxei a arma quando estava realmente próximo do homem armado e atirei a queima roupa. Ele caiu. Peguei sua arma e entrei no carro e procurei um dos armados e atirei na direção, errei, recebemos alguns tiros, erraram.

O carro partiu a toda velocidade, eles vieram atrás, disparei outro tiro e pegou no pára-brisa. Nosso conhecimento do terreno e habilidade eram melhores, eles possuíam pára-brisa trincado atrapalhando a visão, e assim não demos chance de que nos seguissem.

Quando a adrenalina baixou, ainda dentro do carro, senti uma fisgada, uma mancha se formava do lado esquerdo do meu tronco, doía bastante, mas resisti a dor. Felizmente era apenas um arranhão, poderia infeccionar, mas não me mataria, o próprio ferimento já estava quase estancado, apenas uma cicatriz de batalha. A primeira, confirmando a verdadeira natureza do novo mundo em que vivíamos.

CONTINUA…

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